SÓ A LUTA MUDA A VIDA!!!

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Movimento estudantil conquista circular externo e garante maior segurança às mulheres

por Ligia Carrasco*

Julho de 2011 foi um mês em que poucas mulheres da comunidade de Barão Geraldo poderão se esquecer. Fomos surpreendidas por uma série de estupros seguidos: três casos em duas semanas.

Essa situação alarmante obrigou que nós mulheres tivéssemos de nos preocupar em não andarmos sozinhas pelas ruas, que pensássemos as roupas que iríamos vestir, que andássemos com medo e angustiadas a todo tempo pelas ruas de Barão Geraldo. Será que não é possível que andemos pelas ruas sem medo de sermos constrangidas a qualquer momento? Será que é possível que não sejamos submetidas às piores formas de agressão física, psicológica ou sexual?

Nesse momento, nós mulheres respondemos que se não é possível, então nós vamos à luta! Ao passo em que a polícia nos dizia que “a situação estava sob controle” e que as “estatísticas estavam dentro da normalidade”, nós mulheres dissemos que não somos apenas mais um número dentro das estatísticas absurdas que o machismo faz com que as pessoas acreditem ser a normalidade.

ANEL presente

A partir de reuniões semanais de planejamento contra a violência às mulheres chamamos a todas as indignadas e indignados que se somassem para juntos nos fortalecermos e darmos uma resposta a uma situação que não poderíamos aceitar caladas.

O combate ao Machismo também é tarefa dos homens!

A ANEL foi parte ativa desse processo ao construir as reuniões, passar em salas colhendo assinaturas para os manifestos escritos a partir das reuniões, ajudar na construção e no chamado aos atos no centro de Campinas e em Barão Geraldo e em tudo que fosse possível.

Lembramo-nos tristemente das barbaridades que o machismo causou às mulheres de Barão Geraldo e que causa diariamente a todas as mulheres, onde o machismo, enquanto ideologia predominante, tem o estupro como sua face mais perversa, mas que também se manifesta, muitas vezes mascarado, a todos os momentos.

Mas nos lembraremos também, muito felizes, como só a luta muda a vida!

Toda nossa força manifestada de maneira conjunta e todo esforço em reivindicar mais segurança para todas nos trouxe frutos. Fizemos atos com centenas de pessoas em Barão Geraldo e uma Marcha das Vadias no centro de Campinas. Mostramos que o movimento estudantil pode se organizar – e com muita força! – para dizer basta e reivindicar seus direitos .

A luta não acabou!

Neste mês de abril, passa a funcionar um ônibus Circular Externo ampliando, assim, os trajetos percorridos desde a Unicamp até as avenidas principais de barão. Este circular cobrirá não só o trajeto até a Moradia Estudantil, como também as regiões da Avenida 1, centro de Barão Geraldo e da Avenida 3, irá parar em mais pontos pelo caminho e funcionará a partir das 18 horas.

No entanto, vencemos apenas uma batalha e ainda não ganhamos a guerra contra o machismo e pela garantia de vivermos livres e seguras. A conquista do ônibus é um grande passo, mas nossas reivindicações não se esgotam ai. Afinal, por exemplo, seja dentro do campus universitário ou pelo resto de Barão Geraldo nos deparamos ainda com uma iluminação precária e inexistente em algumas regiões. Sem contar a falta de poda de árvores e de grama que combinada com a falta de iluminação só favorece para aumentar a nossa insegurança e que mais casos de violência se repitam, especialmente à mulher.

Outro ponto é a assistência às vítimas, ainda reivindicamos o funcionamento 24 horas da delegacia da mulher, para que as vítimas possam ser acudidas e registrar as denúncias de violência a qualquer hora do dia; como também a garantia de funcionários públicos, de vigilantes do campus a atendentes dos hospitais , treinados para o atendimento psicológico e à saúde das vítimas.

Esta vitória é o exemplo de que os estudantes organizados tem muita força e só lutando poderemos garantir mais avanços para nós mulheres e para todos os estudantes, afinal, ainda há muito que ser conquistado!

À luta, companheir@s!

“A nossa luta é todo o dia, somos mulheres e não mercadoria.”

Passeata conta a onda de estupros, com bloco da "Marcha das Vadias"

Novo itinerário do circular Moradia-Unicamp:

http://www.prefeitura.unicamp.br/prefe/site-novo/circularmoradia-normal2.pdf

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Basta de violência machista!

Na última sexta-feira foi notificado mais um caso de estupro em Barão Geraldo, desta vez perto da moradia da Unicamp. Infelizmente este não é um caso isolado, o que se comprova pelo absurdo de três estupros em apenas duas semanas, um deles perto de um distrito policial próximo à Unicamp. A própria universidade muitas vezes mascara estes dados ao abafar os casos de estupro e mostra total descaso com esta violência brutal ao não tomar medidas, ainda que mínimas, que garantam a integridade física das estudantes, como iluminação adequada, circular interno, e seguranças com concurso público, preparados para prevenir casos como este e receber estudantes que tenham sofrido tamanho trauma.

A resposta da polícia a esta situação, que vem assustando e indignando principalmente moradoras e estudantes, é dizer que é normal em um local com muitos moradores de cidades menores e outros países, que não têm o hábito de tomar os mesmos cuidados que quem já mora em Campinas, haver este tipo de crime. De acordo com o delegado do 7º DP, Tadeu de Almeida, não há motivo para preocupação, já que o número de casos registrados está dentro da média esperada.

Nós, da ANEL, achamos que o machismo é uma ideologia imperante em nossa sociedade, que tem o estupro como sua face mais perversa; repudiamos a declaração do delegado, que apenas  naturaliza esta ideologia, isto é, a própria opressão. É um direito nosso, das mulheres, de ter relações sexuais com quem queremos, mas também é nosso direito de dizer NÃO. E a culpa não é e nunca pode ser jogada na vítima: não é possível que tenhamos nossa liberdade cerceada, que sintamos medo toda vez que saímos de casa ou que usamos tal ou qual roupa.

Porém, também acreditamos que as saídas individuais, como as aulas de defesa pessoal, não bastam. Além de medidas imediatas que busquem prevenir a violência machista, devemos nos organizar, mulheres e homens trabalhadores e da juventude, para combater essa ideologia. E identificar qual o nosso verdadeiro inimigo: o capitalismo, que utiliza do machismo para melhor oprimir e explorar o povo, dividindo mulheres e homens trabalhadores numa luta entre si.

Exigimos nosso direito de estudar e trabalhar sem ter receio na hora de voltar para nossas casas! Exigimos nosso direito de usar minissaias e roupas que desejamos sem o medo de que sejamos as próximas a serem estupradas! Exigimos nosso direito de ter relações sexuais com quem quisermos!

A ANEL se incorpora a essa iniciativa e chama todos a participar da 2ª reunião de planejamento de ações contra violência às mulheres: dia 19/07, terça, das 12h às 13h30, no Teatro de Arena da Unicamp.