Chile: El Maremoto Estudiantil

Ontem, quinta-feira, dia 15/07, cerca de 70 pessoas foram presas e pelo menos 40 ficaram feridas durante uma manifestação estudantil pacífica em defesa do ensino público, uma das maiores desde a redemocratização dos anos 90. É a terceira vez em menos de um mês que milhares de estudantes, professores, funcionários, pais, e setores que apoiam a luta pelo ensino público ocuparam as ruas de Santiago.

O ato foi marcado pelo colorido das manifestações culturais e pelo brutal repressão policial desde o começo até o fim da manifestação, o que transformou a rua Alameda, principal de Santiago, em um campo de batalha; mais uma prova de que o governo não quer dialogar ou ceder.

A ANEL acompanhou as manifestações chilenas levando o apoio dos estudantes brasileiros livres.

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Confira todas as fotos da ANEL no Chile

Confira o 2º relato da ANEL no Chile:

Valparaíso, 15 de julho de 2011.

Ontem foi o dia de paro nacional: uma convocacao das principais entidades dos movimentos sociais do Chile, em especial as estudantis, para que houvessem marchas em diferentes cidades. Mesmo em plenas férias, os estudantes foram as ruas defender a educacao.

Creio que participei do maior ato da minha vida, e sem dúvida o mais empolgante. A sensacao de estar presenciando um ascenso que toma conta do país, que atravessa a vida de toda a populacao, que faz com que a defesa da educacao gratuita e de qualidade seja algo incontestavel por todos é indescritível. Participei do ato na cidade de Valparaíso, que está também muito mobilizada, e tem uma grande tradicao de luta. Haviam entre 30 e 40 mil no ato, pelo que se pode contar. Valparaiso é uma pequena cidade com menos de 1 milhao e 500 mil habitantes, cheia de casinhas que se espremem uma ao lado da outra, todas coloridas, ocupando os morros da cidade. Muita charmosa e aconchegante.

“El Maremoto Estudiantil”

O que mais chama atencao na marcha, é sem dúvida, a criatividade e irreverencia da juventude chilena, e a firmeza de seguir até o fim. Havia de tudo lá. Bonecoes de papel maché com um estudante dizendo SOS e o governo “lucro”, um time de chicas de topless com o corpo todo pintado como um time de futebol com o nome dos governantes e um $ atras, seguida de um bloco de Conga (musica cubana) com paródias em defesa da educacao, vários carros dos carabineros (policiais) feitos de papelao, ridicularizando a repressao. Uma coluna com os “300 guerreiros”, fazendo uma paródia do filme, lutando pela educacao, um leite gigante, uma paródia dos simpsons, meninas fantasiadas de prostitutas, tartarugas que se rastejavam, os “infectados pelo sistema” todos cheios de feridas e andando como zumbis, vários lápis gigantes, muitos palhacos, malabares e coisas de circo, caveiras que eram as “vitimas do sistema”, pipas em defesa da educacao… Além, é claro, de todo tipo de faixas e dizeres, cantos dos mais criativos, especialmente dos secundaristas, que pulavam, corriam, gritavam, se sentindo num verdadeiro extase: “chi, chi, chi, le, le, le, secundarios de chile!”. A presenca tambem de outras entidades e movimentos sociais, como os trabalhadores do Porto que com seus enormes caminhoes ficaram buzinando em apoio a nossa luta; foi um dos momentos mais marcantes da marcha. Os representantes estudantis disseram, e eu concordo: foi uma marcha que entrou pra história.

Em Santiago, a marcha chegou, de acordo com os organizadores, a 100 mil pessoas, também cheia de criatividade juvenil. Fiquei sabendo que outras vezes, já organizaram muitos protestos reunindo uma galera numa praca pra fazer um ato lúdico. Por exemplo, uma vez cerca de 500 estudantes fazendo a coreografia do Thriller, do Michael Jackson. Outra vez, mais de 1000 fizeram o “suicídio pela educacao”, quando de uma hora pra outra em uma praca no centro da cidade todos cairam no chao, se fingindo de mortos, e tinha apenas uma menina com um cartaz dizendo que todos morreram esperando as reformas educacionais. Bom, volatando a marcha de ontem… Quem acompanhou nos jornais deve ter visto que houve muita repressao em Santiago. Aqui, para fazer uma mobilizacao, o governo deve autorizar (!) o trajeto que a marcha vai fazer. E dessa vez, autorizaram um trajeto mais distante do centro, e obviamente os estudantes – que nao estao muito preocupados com a legalidade neste momento – fizeram o ato onde sempre se faz, em frente ao palacio do governo “La Moneda”, na Plaza de Italia. Desde o comecinho do ato, os carabineiros foram pra cima dos manifestantes. Com os já conhecidos gás lacrimogemio e jatos d`água, buscavam dispersar os manifestantes que jogavam pedras na policia. Depois de dissolver um primeiro grupo que se enfrentava mais diretamente com a policia, partiram para o resto do ato, que concentrava as manifestacoes culturais e as colunas de cada universidade e colegio. Durante duas horas, a principal rua de Santiago, Alameda, se tornou um verdadeiro campo de batalha. Uma repressao terrivel do governo, em uma manifestacao pacifica! Mais uma demonstracao que nao esta disposto a qualquer dialogo e que nao esta disposto a ceder. Azar o dele: os estudantes também nao.

Participei de uma reuniao dos pais de alunos de um colégio ocupado em Valparaiso e foi incrivel. Estavam presentes os pais, parentes e representantes estudantis. O nivel de conscientizacao das familias, e da necessidade que entrem tambem na luta é muito grande. Uma mae dizia na reuniao, que o governo quer que se fazer de vitima, utilizando de um discurso que está disposto a negociar, que já deu várias propostas e que o movimento que é intransigente e só quer fazer baderna. Mas o problema é que as propostas que deu nao passam nem perto de solucionar os problemas! Em todas as reunioes que estive, ha uma certeza muito grande que as lutas devem se seguir, ampliar suas reivindicacoes e aliancas com outros setores de trabalhadores. E todos tem certo que precisam enfrentar com forca a proxima semana, porque a seguinte será determinante para a continuidade ou nao das lutas: as aulas vao voltar. Se se seguem as ocupacoes depois da volta as aulas, sem duvida o movimento ganha uma forca muito maior.

“As veias da América Latina ainda seguem abertas”

Esses dias que passei aqui no Chile, na minha primeira viagem a algum país da América Latina, senti como nunca como somos “hermanos latino-americanos”. Esse sentimento de uniao entre nós, que os chilenos me fizeram sentir quando sorriam de alegria e me abracavam com forca por saber que no Brasil tem apoio também para sua luta, é algo que temos que nos agarrar com forca. Os planos do imperialismo para a educacao, especialmente do Banco Mundial e do FMI, sao os mesmos para o conjunto da America Latina. Dizia-lhes que passavamos pelos mesmos problemas, que havia um Plano Nacional de Educacao no Brasil que iria avancar mais na privatizacao e que podiamos chegar a ter, como eles, todas as universidades publicas com cobranca de taxas e completamente privatizadas, e eles também nos davam incentivos para lutar.

Ficaram muito impressionados, especialmente os representantes das entidades, com a forma de organizacao democratica da ANEL. Um chico do centro de estudiantes do Liceo Eduardo de la Barra me disse, depois de lhe explicar o funcionamento da ANEL: “Isso é um sonho meu de ter algo assim aqui! Precisamos de uma entidade como essa.” – e eu lhe incentivei que criassem. A alianca com secundaristas e universitarios e o controle pela base era o lhes chamava mais atencao, porque as entidades aqui, especialmente de universitarios como a CONFECH, sao extremamente burocráticas. O movimento, porém, é mais forte e está fazendo avancar uma reorganizacao pela base muito grande. Essa reorganizacao, junto com a forca das mobilizacoes e com a alianca cada vez maior com os trabalhadores, ainda vai fazer o governo Piñera tremer na base. Lutando para que caia o Ministro da Educacao, por um Plebiscito oficial sobre a gratuidade do ensino, uma reforma estrutural na educacao e por uma mudanca constitucional, eu espero – e junto comigo todos os “chilenos libres” – que ganhe cada vez mais forca esta luta, “hasta la victoria”.

“Yo que soy americano,
no importa de que país,
quiero que mi continente
viva algún día feliz.

Que los países hermanos
de Centroamérica y sur
borren las sombras del norte
a ramalazos de luz.

Si hay que callar
no callemos,
pongámonos a cantar.
Y si hay que peliar,
peliemos,
si es el modo de triunfar.

Por toda América soplan
vientos que no han de parar.
Hasta que entierren las sombras,
no hay orden de descansar.”

Inti-Illiami,

La Segunda Indpendencia

PS1: desculpem a falta de acentos… é que estou num computador chileno, e nao tem todos os nossos acentos aqui.

PS2: vejam as fotos do ato no álbum picasa da ANEL!

Fonte: http://www.anelonline.org/?p=2314

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ANEL no Chile: em defesa da educação pública

A ANEL enviou Clara Saraiva, da Comissão Executiva Nacional da entidade, ao Chile para acompanhar e se solidarizar com as fortes manifestações estudantis que ocorrem naquele país.
Clara participou, na semana passada, de um programa na rádio 1º de Maio. Em pauta, os protestos estudantis, em um debate que também contou com a presença de representantes da CONFECH e da ACES, federações de estudantes universitários e secundaristas do Chile, respectivamente.
A luta dos estudantes chilenos já vem há semanas mobilizando milhares em todo o país e colocando o governo Piñera contra a parede. As principais exigências giram em torno ao aumento de verbas para a educação pública, estatização de escolas e universidades e reformas no sistema educacional de conjunto

1º relato da ANEL no Chile

Juventude chilena luta e beija em defesa da educação pública

Relato de mães de secundaristas chilenos

Carnaval em Plaza de Armas

Veja todas as fotos

1800 horas em defesa da educacao pública

1800 horas em defesa da educacao pública

Participacao da ANEL junto com a CONFECH e ACES no progama da rádio 1o de maio

Entrada da FAU - Universidad de Chile

Quadro da reuniao da ANES com contato da ANEL

Liceo de Aplicacion "en toma"

Carnaval en la Plaza de Armas

Universidad de Chile "en toma"

Universidad de Chile "en toma"

Universidad de Chile "en toma" - Prédio Central

Universidad de Chile "en toma"