Com o “Dedo na Ferida” o rapper Emicida é detido pela PM após show em BH

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Por Caue Pastrello,
estudante de ciências sociais da Unicamp

13 de Maio de 2012, há exatamente 124 anos, em 1888, se oficializava a “libertação dos escravos”. Porém, em Belo Horizonte, na noite deste 13 de Maio, o rapper negro Emicida, no fechamento do evento Palco Hip – Hop, movimento artístico negro, cantando para a juventude negra, foi detido pela PM por desacato a autoridade. A apresentação de Emicida começou com uma mensagem de apoio a Ocupação Eliana Silva que contava com cerca de 350 famílias, e recentemente, dia 11, foi desocupada de forma brutal pela PM de Minas Gerais a mando da Prefeitura de BH. O rapper nunca se omitiu ante a forma violenta com que a polícia e os governos tratam as famílias mais humildes e o povo pobre em geral. No caso da desocupação e expulsão de 1600 famílias do Pinheirinho, em São José dos Campos, realizada pela PM, no dia 22 de janeiro de2012, a mando do governador Geraldo Alckmin (PSDB), da prefeitura de São José dos Campos, também governada por Eduardo Cury (PSDB), e da Justiça do Estado de São Paulo, Emicida prestou total solidariedade e disse que o acontecido fazia com que o Pinheirinho fosse “o Canudos do século XXI”.

Após a sua intervenção em forma de protesto, Emicida começou a cantar sua música “Dedo na Ferida”, que trata justamente deste tema, após pouco tempo a polícia começou a invadir o palco e querer prender Emicida por desacato. Seria desacato se utilizar do microfone para protestar contra a forma violenta com que a PM trata os mais humildes? Seria desacato protestar contra a política brasileira que trata como caso de polícia qualquer movimento social? Como o próprio Emicida diz em “Dedo na Ferida”: “Ainda vivemos como nossos pais Elis… Quanto vale uma vida humana, me diz?”. Parece que ainda vivemos no tempo dos nossos pais, pois ao vermos ações como essa, imaginamos que a ditadura ainda não acabou, e as vítimas dessa repressão e perseguição têm classe e cor, o povo pobre negro da periferia. Com certeza para a PM e para os políticos, a vida humana vale muito menos do que qualquer propriedade privada, seja ela de especuladores ou abandonadas.

Se o povo negro não tem direito sequer a uma denúncia quando seus direitos são violados, se não podem sequer ter sua voz amplificada através do movimento Hip – Hop, que dirá então em ambientes de produção de conhecimento, como as Universidades Públicas? Pois a mesma elite que pressiona para que os governos ataquem o direito das famílias à moradia em favor de suas propriedades, é a elite que se põe de pronto contra as Cotas Raciais nas Universidades, se apoiando no mito da “democracia racial”, e tentando esconder a imensa desigualdade de oportunidades que os negros e negras têm de enfrentar, condenando o povo negro à marginalização. Vemos, com a atitude da PM, que a repressão dos senhores de escravos foi substituída pela ação de polícias e milícias, que exterminam jovens negros na periferia e buscam calar aqueles que denunciam a opressão. Após o show Emicida foi levado a uma delegacia e em seguida liberado.

Por isso é necessário organizar a resistência a esses ataques e a política de criminalização da pobreza e da periferia. O movimento hip-hop é hoje uma expressão dessa resistência, e assim como os quilombos o foram no passado, é perseguido e criminalizado pelo governo e pela polícia. É preciso denunciar essa falsa democracia que vivemos, onde quem manda são os ricos e empresários e o povo trabalhador não tem voz nem vez. Como diz Emicida em “Dedo na Ferida”: “Porque a justiça deles, só vai em cima de quem usa chinelo e
é vítima […]” e a “[…] agressão de farda é legítima”.

– Total solidariedade ao rapper Emicida e a todos os artistas engajados na luta pela transformação social!
– Contra a criminalização da pobreza, da população negra e dos movimentos sociais!
– Pela desapropriação do terreno do Pinheirinho em prol dos trabalhadores!
– Pela implantação de cotas raciais nas universidades, proporcionais à população negra da região respectiva!

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SÓ A LUTA MUDA A VIDA!!!

Destacado

Movimento estudantil conquista circular externo e garante maior segurança às mulheres

por Ligia Carrasco*

Julho de 2011 foi um mês em que poucas mulheres da comunidade de Barão Geraldo poderão se esquecer. Fomos surpreendidas por uma série de estupros seguidos: três casos em duas semanas.

Essa situação alarmante obrigou que nós mulheres tivéssemos de nos preocupar em não andarmos sozinhas pelas ruas, que pensássemos as roupas que iríamos vestir, que andássemos com medo e angustiadas a todo tempo pelas ruas de Barão Geraldo. Será que não é possível que andemos pelas ruas sem medo de sermos constrangidas a qualquer momento? Será que é possível que não sejamos submetidas às piores formas de agressão física, psicológica ou sexual?

Nesse momento, nós mulheres respondemos que se não é possível, então nós vamos à luta! Ao passo em que a polícia nos dizia que “a situação estava sob controle” e que as “estatísticas estavam dentro da normalidade”, nós mulheres dissemos que não somos apenas mais um número dentro das estatísticas absurdas que o machismo faz com que as pessoas acreditem ser a normalidade.

ANEL presente

A partir de reuniões semanais de planejamento contra a violência às mulheres chamamos a todas as indignadas e indignados que se somassem para juntos nos fortalecermos e darmos uma resposta a uma situação que não poderíamos aceitar caladas.

O combate ao Machismo também é tarefa dos homens!

A ANEL foi parte ativa desse processo ao construir as reuniões, passar em salas colhendo assinaturas para os manifestos escritos a partir das reuniões, ajudar na construção e no chamado aos atos no centro de Campinas e em Barão Geraldo e em tudo que fosse possível.

Lembramo-nos tristemente das barbaridades que o machismo causou às mulheres de Barão Geraldo e que causa diariamente a todas as mulheres, onde o machismo, enquanto ideologia predominante, tem o estupro como sua face mais perversa, mas que também se manifesta, muitas vezes mascarado, a todos os momentos.

Mas nos lembraremos também, muito felizes, como só a luta muda a vida!

Toda nossa força manifestada de maneira conjunta e todo esforço em reivindicar mais segurança para todas nos trouxe frutos. Fizemos atos com centenas de pessoas em Barão Geraldo e uma Marcha das Vadias no centro de Campinas. Mostramos que o movimento estudantil pode se organizar – e com muita força! – para dizer basta e reivindicar seus direitos .

A luta não acabou!

Neste mês de abril, passa a funcionar um ônibus Circular Externo ampliando, assim, os trajetos percorridos desde a Unicamp até as avenidas principais de barão. Este circular cobrirá não só o trajeto até a Moradia Estudantil, como também as regiões da Avenida 1, centro de Barão Geraldo e da Avenida 3, irá parar em mais pontos pelo caminho e funcionará a partir das 18 horas.

No entanto, vencemos apenas uma batalha e ainda não ganhamos a guerra contra o machismo e pela garantia de vivermos livres e seguras. A conquista do ônibus é um grande passo, mas nossas reivindicações não se esgotam ai. Afinal, por exemplo, seja dentro do campus universitário ou pelo resto de Barão Geraldo nos deparamos ainda com uma iluminação precária e inexistente em algumas regiões. Sem contar a falta de poda de árvores e de grama que combinada com a falta de iluminação só favorece para aumentar a nossa insegurança e que mais casos de violência se repitam, especialmente à mulher.

Outro ponto é a assistência às vítimas, ainda reivindicamos o funcionamento 24 horas da delegacia da mulher, para que as vítimas possam ser acudidas e registrar as denúncias de violência a qualquer hora do dia; como também a garantia de funcionários públicos, de vigilantes do campus a atendentes dos hospitais , treinados para o atendimento psicológico e à saúde das vítimas.

Esta vitória é o exemplo de que os estudantes organizados tem muita força e só lutando poderemos garantir mais avanços para nós mulheres e para todos os estudantes, afinal, ainda há muito que ser conquistado!

À luta, companheir@s!

“A nossa luta é todo o dia, somos mulheres e não mercadoria.”

Passeata conta a onda de estupros, com bloco da "Marcha das Vadias"

Novo itinerário do circular Moradia-Unicamp:

http://www.prefeitura.unicamp.br/prefe/site-novo/circularmoradia-normal2.pdf

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ANEL lança cartilha LGBT na Unicamp

por Ligia Carrasco
 
 Na última terça-feira, 03 de abril, foi realizada uma atividade de lançamento da Cartilha
LGBT da ANEL. A atividade ocorreu no anfiteatro do IEL/Unicamp e sua mesa contou com a presença de Guilherme, membro da ANEL e colaborador da cartilha e também de Carlos, membro da CSP-Conlutas e professor da rede pública de Campinas. Além dos palestrantes contamos também com a presença de diversos estudantes dos mais variados cursos.

 

Durante as exposições feitas tanto por Guilherme e Carlos como por todos os participantes, com questionamentos ou contribuições ao debate, muito se pôde desenvolver em conjunto acerca do tema. E é exatamente isso que nós da ANEL esperamos poder proporcionar com esse novo material que é a Cartilha LGBT: abrir espaço para que todos possamos entender e elaborar de maneira cada vez mais avançada o debate sobre o que é a homofobia e como fazer para combatê-la.

 
Assim caminhou, então, a discussão. Pudemos ter uma grande explicação sobre alguns conceitos de enorme relevância para que se possa ser entendida a origem da homofobia, tais como sexualidade, gênero e orientação sexual, que dentro de suas significações não só ajudam na qualidade das elaborações, mas também alertam para a maneira como algumas palavras, piadas ou termos podem ser homofóbicos e oprimir um LGBT.

 
Dentre tantos pontos importantes outro debate muito prolongado e necessário durante a atividade foi o problema da homofobia nas escolas. O ambiente escolar, desde muito cedo, é um local onde o conteúdo homofóbico tem morada e, consequentemente, consequências cruéis. Desde os materias escolares que pregam maneiras “corretas” de se relacionar até todas as piadinhas direcionadas aos LGBTs, a perseguição por parte dos professores e diretoria e ameaças de agressão física, tudo isso, faz parte do caráter das escolas. Ao mesmo tempo em que a homofobia nas escolas é um problema tão cotidiano, os professores não possuem o menor preparo para lidar com a questão por ausência de investimentos tanto em políticas públicas específicas como em melhor formação aos professores acerca do tema.

 
Ao passo que a presidente Dilma vetou o projeto “Escola sem homofobia”, o movimento LGBT em especial, mas também movimento estudantil e movimentos sociais como um todo, sofreram uma derrota sendo mais uma vez a discussão sobre diversidade sexual deixada de lado e longe das escolas.

 
Assim, surge a iniciativa da Cartilha LGBT da ANEL. No I Congresso da ANEL, em 2011, os 1700 estudantes participantes votaram por unanimidade a elaboração de uma cartilha como resposta à homofóbica política governamental. Desde então viemos promovendo debates como este do lançamento da Cartilha e, dessa maneira, ampliando os espaços de discussão sobre um problema tão grande como a homofobia e as opressões todas, que urgem em ser combatidas.

 

Criminalização da homofobia! Aprovação imediata do PLC 122 original!

Pela revogação do veto de Dilma ao projeto “Escola sem homofobia”!
Por 10% do PIB para a educação pública já! Não ao PNE do governo!

 
Para adquirir sua Cartilha procure os estudantes que constroem a ANEL.

  

Mais um caso de homofobia em Barão Geraldo.

por João Pedro Mendonça “Portuga”

No último dia 10 de março no Bar Brahma em Barão Geraldo, um casal teve a sua conta fechada e foram escoltados para fora do bar. Agiam normalmente e, como qualquer outro casal, demonstravam o seu afeto e se acariciavam, mas tinham um diferencial: eram homossexuais.

Já são corriqueiras as histórias de gays que são expulsos de bares. Em 2010 aqui mesmo em Barão Geraldo com o casal de lésbicas na Sappore Pizza. Além daqueles que são violentamente agredidos, como o que aconteceu em também no dia 10/03 com dois jovens em Salvador (BA) que foram brutalmente espancados por 6 homens. Sem esquecer dos casos de morte, como a travesti Gardênia que foi assassinada no centro de Campinas no final do ano passado, idêntico ao caso da Camile em 2010.

Os LGBTs passam por diversas situações de opressão em casa, na escola, no trabalho, nas ruas, e essa forma de opressão se chama Homofobia. Embora digam que hoje os homossexuais tem mais direitos, aparecem mais, estão no cinema e na televisão, a homofobia, ao invés de diminuir, tem aumentado ano a ano. O Brasil é o país em que há o maior número de violência contra LGBTs: aqui, um homossexual morre a cada dois dias.

E se os governos não fazem nada em relação a isso, eles também são cúmplices desses crimes. Um exemplo recente é o papelão que a presidente Dilma cumpriu em relação à PLC 122 que criminalizaria a homofobia e o “Projeto Escola Sem Homofobia”, que introduziria o combate a essa opressão nas escolas. Dilma tem enrolado a aprovação da PLC e vetou o chamado Kit Anti-homofobia por ser pressionada pela bancada conservadora e evangélica do congresso.

A criminalização da homofobia e a introdução do combate à opressão nas escolas não acabariam com a homofobia, mas são importantes dispositivos que a combateriam, permitindo os LGBTs a frequentarem bares sem serem expulsos e a saírem à rua sem medo de apanhar ou morrer, seguros de que podem ser e amar quem bem quiserem e como quiserem. Ao mesmo tempo, aqueles que tem aversão às mais diferentes formas de amor, pensariam duas vezes antes de atacar uma pessoa na rua pelo fato dela estar demonstrando a sua afetividade.

– Aprovação da PLC 122 que criminaliza a homofobia.
– Pela aplicação de um Kit Anti-homofobia nas escolas para educar sobre a diversidade sexual. 

Por isso, queremos convidar a todos para debater o tema e juntarem-se neste combate!

Dia 03 de Abril, às 16h no IEL.

Convidados:
Guilherme Rodrigues: integrante da ANEL-SP,
Carlos Caetano: secretaria LGBT do PSTU – Campinas
Janaína: Grupo Identidade.

https://www.facebook.com/events/254260671335580/

Video do lançamento da cartilha!

Descrição de possível estuprador

Duas meninas relataram serem seguidas em Barão Geraldo por um homem em um UNO vermelho, nesta semana (sábado de madrugada e terça de tarde):

Izabela Buzetti disse:

19/07/2011 às 10:09 AM

Marilia, fica aqui meu relato divulgado em nota no meu FB!

Meninas de Barão Geraldo: MUITO CUIDADO COM UM UNO VERMELHO COM UM “HOMEM”:

BRANCO

ALTO (1,85 +/-)

CABEÇA RASPADA (TIPO MÁQUINA 2)

CABELOS CASTANHO-CLARO

OLHOS CASTANHOS

CARA TIPO NORMAL, SEM MARCAS NO ROSTO (não sei dizer no corpo porque estava usando roupas de frio)

ESSA CRIATURA ME FEZ PASSAR MAUS BOCADOS EM BARÃO GERALDO NO SÁBADO! Me acossando durante a madrugada do sábado!!!!

Se virem alguma coisa suspeita: LIGUEM PARA A POLICIA OU ALGUM CONHECIDO (COMO EU FIZ) acredito que foi isso que me salvou!!!!

Sábado, voltando da casa de um casal de amigos, eu fui abordada no caminho entre o terminal de BG e a avenida 2.

um homem com a descrição acima, estava parado na calçada de frente ao bar do zé (onde ficam os tios que cuidam dos carros) mas LONGE dos tiozinhos… sentado num canto MUITO ESCURO, que eu só notei quando passei, e o tipo se levantou e disse:

– “Psiu, gostosa”.

(eu me assustei, olhei para tras e marquei bem a cara do sujeito) Peguei meu celular, e liguei para uma amiga (a que eu estava indo para a casa dela) para avisar:

– “estou na frente do bar do zé, em 7min estou na sua casa, se eu não chegar liga pra policia”

quando cheguei no posto de gasolina (do Mac) olhei pra tras e vi o sujeito atravessando a avenida, correndo para uma ruazinha onde as pessoas normalmente estacionam carros (e pensei: bom ou ele vai cobrar alguém ou vai pegar um carro!)

eu segui na av. 2 pelo canteiro central e continuei olhando para tras. quando vi, tinha um uno vermelho todo apagado na esquina do posto!!!! Eu fui atravessar a rua (para entrar para a rua da minha amiga) e o carro ligou e foi me seguindo. eu notei que ele ia virar para o mesmo lugar que eu (rua super vazia) e decidi parar, e voltei para o canteiro central da av. 2.

Liguei para a minha amiga novamente, dessa vez explicando a situação. e informando que estava a uns 4 min de distancia da casa dela, mas que ia ter que passar por aquela ruazinha, só que o carro já não estava mais lá…

entrei na ruazinha, e segui andando pelo MEIO da rua, com as CHAVES na mão e o CELULAR. quando olhei para tras ALI ESTAVA O UNO VERMELHO!!!! eu fui para a calçada e novamente liguei para a minha amiga:

– “ele está aqui, o cara do uno vermelho voltou para a rua que eu estou!”

minha amiga já tinha saido da casa dela… e o carro parou ao meu lado (como que ligado e indo MUITO devagar) abaixou o vidro e começou a falar comigo.

Eu ignorei, e ele começou a ficar nervoso, falar mais alto e mais bravo, dizendo:

-”ENTRA NO CARRO; FICA TRANQUILA, EU NÃO VOU TE FAZER MAL!!! NÃO VOU FAZER NADA QUE VC NÃO QUEIRA”.

nessa hora eu comecei a gritar:

SAI DAQUIIIII e minha amiga já estava na porta da casa dela, acompanhada por mais 2 amigas e o namorado de uma delas, me viram e começaram a chamar meu nome.

O cara acelerou e saiu com o carro muito rápido dali…

POR SORTE não aconteceu nada comigo!!! MAS FICA O ALERTA:

MENINAS FIQUEM ATENTAS!!!!

Daniela disse:

19/07/2011 às 8:37 PM

Meninas,

Hj fui perseguida por um cara com um uno vermelho, na avenida 2. Ele ficou me seguindo bem devagar depois parou o carro perto da academia gold qdo passei ele voltou a andar bem devagar foi até o tilli center e fez o balão qdo virei no posto ele ainda tava me seguindo, entrei no pão de açucar e depois ele ainda tava na avenida Santa Isabel. Graças a Deus não aconteceu nada. Era 17:20. Tomem mto cuidado.

Fonte: http://blogueirasfeministas.com/2011/estupros-barao-geraldo-campinas/

Basta de violência machista!

Na última sexta-feira foi notificado mais um caso de estupro em Barão Geraldo, desta vez perto da moradia da Unicamp. Infelizmente este não é um caso isolado, o que se comprova pelo absurdo de três estupros em apenas duas semanas, um deles perto de um distrito policial próximo à Unicamp. A própria universidade muitas vezes mascara estes dados ao abafar os casos de estupro e mostra total descaso com esta violência brutal ao não tomar medidas, ainda que mínimas, que garantam a integridade física das estudantes, como iluminação adequada, circular interno, e seguranças com concurso público, preparados para prevenir casos como este e receber estudantes que tenham sofrido tamanho trauma.

A resposta da polícia a esta situação, que vem assustando e indignando principalmente moradoras e estudantes, é dizer que é normal em um local com muitos moradores de cidades menores e outros países, que não têm o hábito de tomar os mesmos cuidados que quem já mora em Campinas, haver este tipo de crime. De acordo com o delegado do 7º DP, Tadeu de Almeida, não há motivo para preocupação, já que o número de casos registrados está dentro da média esperada.

Nós, da ANEL, achamos que o machismo é uma ideologia imperante em nossa sociedade, que tem o estupro como sua face mais perversa; repudiamos a declaração do delegado, que apenas  naturaliza esta ideologia, isto é, a própria opressão. É um direito nosso, das mulheres, de ter relações sexuais com quem queremos, mas também é nosso direito de dizer NÃO. E a culpa não é e nunca pode ser jogada na vítima: não é possível que tenhamos nossa liberdade cerceada, que sintamos medo toda vez que saímos de casa ou que usamos tal ou qual roupa.

Porém, também acreditamos que as saídas individuais, como as aulas de defesa pessoal, não bastam. Além de medidas imediatas que busquem prevenir a violência machista, devemos nos organizar, mulheres e homens trabalhadores e da juventude, para combater essa ideologia. E identificar qual o nosso verdadeiro inimigo: o capitalismo, que utiliza do machismo para melhor oprimir e explorar o povo, dividindo mulheres e homens trabalhadores numa luta entre si.

Exigimos nosso direito de estudar e trabalhar sem ter receio na hora de voltar para nossas casas! Exigimos nosso direito de usar minissaias e roupas que desejamos sem o medo de que sejamos as próximas a serem estupradas! Exigimos nosso direito de ter relações sexuais com quem quisermos!

A ANEL se incorpora a essa iniciativa e chama todos a participar da 2ª reunião de planejamento de ações contra violência às mulheres: dia 19/07, terça, das 12h às 13h30, no Teatro de Arena da Unicamp.

ANEL discute homofobia

Dia 16/06, 5ª feira, 17h30, acontecerá no auditório do IFCH mais uma atividade pré-congresso da ANEL – Campinas. Mais uma vez colocaremos em debate a homofobia um dos principais temas da última Assembléia Estadual de São Paulo e do 1º Congresso, que será realizado nos dias 23, 24, 25 e 26 deste mês, no Rio de Janeiro.

Já está confirmado para a atividade o estudante da USP e da ANEL São Paulo, Guilherme, que este ano foi agredido vítima de homofobia, o professor Omar da antropologia da Unicamp, e a professora da rede pública estadual, integrante do grupo de mulheres Pão e Rosas, Rita Frau.

Veja um pouco do que a ANEL tem promovido na luta contra a homofobia:

Anel à frente do combate às opressões na Unicamp

Anel contra a barganha do kit homofobia: mais uma traição do governo Dilma

Anel pela aprovação da PLC 122

A ANEL COLOCA NA RODA O DEBATE SOBRE AS OPRESSÕES

É HORA DA VIRADA!
A ANEL COLOCA NA RODA O DEBATE SOBRE AS OPRESSÕES

No dia 28/04 houve uma atividade artística cultural no IFCH, organizada pelos ativistas que constroem o I Congresso Nacional da ANEL (Assembleia Nacional dos Estudantes – Livre). Durante a atividade, foram distribuídos adesivos da campanha “É hora da virada contra a homofobia” (campanha impulsionada pela ANEL e CSP-Conlutas), que foram extremamente bem recebidos pelas pessoas em geral, que os colavam em suas roupas. No entanto, infelizmente, na mesma noite tivemos um exemplo nítido do quanto é atrasado o debate acerca das opressões, mesmo entre aqueles que se reivindicam “progressistas” e “sem preconceitos”, artistas e público universitário.

Durante a atividade, da qual participavam muitas pessoas de diversos institutos, a banda “Los Cones” tocou duas músicas que expressavam machismo e homofobia, momento em que alguns ativistas da ANEL interromperam a banda no microfone, quando o espaço se polarizou entre “Toca!” e “Não toca!”.  Essa questão repercutiu pela universidade e também na internet, e queremos entrar no debate com aquilo que consideramos central em tudo o que aconteceu. A princípio é interessante, a nosso ver, que esse fato tenha ocorrido. Sem ele não seria possível discutir com tanta abrangência uma temática tão importante, e sobretudo presente para aqueles que convivem diariamente com a opressão.

Antes de mais nada, passemos ao conteúdo das letras, que cabe ressaltar, na opinião da banda não são opressoras. “Priscilly” fala de um transexual que se prostitui. Descreve o mesmo da seguinte maneira: “Uma barba rala, pelos em suas pernas, deformidades em seu rosto”. Em seguida, diz que, para um heterossexual à procura de uma prostituta, encontrar um transexual (de quem ele logo irá querer “se livrar”) é uma “cena tensa e dramática”. Para que não fiquem dúvidas, basta pensarmos se uma música como essa seria bem recebida num espaço organizado em defesa do movimento LGBTT, com a presença de transexuais. Para nós, é evidente que não. Trata de um transexual como simples objeto de desejo e/ou desprezo sexual, como uma mercadoria desumanizada, sem vontades. Já “Prezeppada” é uma música sobre uma “depravada sexual” da qual o cara da música “não abre mão” porque ela o satisfaz, que submete a mulher a uma condição de não poder decidir sobre sua própria vida sexual sem ser também mercantilizada ou tratada como “vadia”.

Para além da objetividade da opressão nos conteúdos, gostaríamos de avançar no debate quanto a forma como o machismo e a homofobia são discutidos. Ao contrário de argumentos que surgiram de que a prática da ANEL foi de censurar a banda, nós damos a esse fato um outro nome: combate às opressões. Argumentos levantados contra a ANEL foram tais como “o público pediu” ou “os próprios artistas não se consideram homofóbicos ou machistas”. Pois bem, a luta contra as opressões passa necessariamente por se enfrentar com as situações mais cotidianas, com públicos e sujeitos diversos, mesmo que esses não reconheçam o caráter de sua própria prática. Serão os homens os primeiros a perceber o machismo em seu próprio comportamento? Serão os heterossexuais os primeiros a perceber o que é a homofobia? Para nós da ANEL, a disposição de qualquer ativista ou qualquer pessoa que se indigne com situações de opressão é fundamental e será sempre causador de conflitos. Trata-se de um questionamento que nada contra a maré, numa sociedade que impede que as pessoas manifestem sua orientação sexual, sua cor ou gênero.

Reafirmamos o conteúdo do adesivo distribuído na festa: é hora da virada, para nós não é possível que os setores oprimidos tenham que abaixar a cabeça e levar constrangidos a sua opressão para casa. Não podemos relativizar a supressão das diferenças, sua transformação em desigualdades. A ANEL é parte daqueles que tras em seu programa e em sua prática cotidiana o combate a qualquer postura como essa a que presenciamos.

Nenhuma tolerância a nenhum tipo de opressão!

Fica o convite: no dia 15/05 acontece a Assembléia Estadual da ANEL (SP), onde teremos como debate na mesa de abertura a Luta contra a Homofobia.