BASTA DE GUERRA: É hora de outra política de drogas para o Brasil

A Assembleia Nacional dos Estudantes – Livre assina o Manifesto da Marcha da Maconha abaixo, acompanhe também o caledário das marchas e participe!

Para acabar com a guerra do narcotráfico: legaliza já!

19 de maio – São Paulo (MASP, 14h)
26 de maio – Diadema – ABC (Praça da Moça, 13h)
02 de junho – Campinas (Largo do Rosário, 14h)

(Para assinar o manifesto, individualmente ou em nome de grupos, movimentos e entidades, escreva para saopaulo@marchadamaconha.org )

BASTA DE GUERRA: É hora de outra política de drogas para o Brasil

O debate está em jornais, revistas, redes de televisão. Tomou ruas, internet, livros, personalidades, políticos e campanhas eleitorais. Ganhou espaço e consistência que mostram cada vez mais a falência da política proibicionista em termos humanos, de segurança, de direitos, liberdades e saúde pública. O Brasil se tornou um dos mais sangrentos campos de batalha da guerra às drogas, um sistema racista, antigo e ineficiente para lidar como uma questão complexa e urgente. Uma lei que redunda em morte e gastos públicos elevados e de nenhuma forma ataca o consumo entre jovens e adultos, muito menos o abuso: apenas desloca-o para uma esfera ainda mais intocável.

O consumo de substâncias alteradoras de consciência é milenar, está imbricado com a própria evolução da humanidade. A tentativa recente de coerção a este hábito, às vezes nocivo à saúde às vezes não, não só é comprovademente um fracasso como traz em si uma série de efeitos nefastos e que devem preocupar a qualquer um que deseja um mundo menos injusto.

Da mesma forma que uma caneta pode escrever lindos poemas ou perfurar uma jugular, os efeitos das diferentes drogas, com suas diferentes culturas de uso, dependem de seu uso. Assim, ao mesmo tempo em que não cabe demonizá-las a priori, como se fossem dotadas de propriedades metafísicas, tampouco é sensato endeusá-las, acreditar que elas por si sejam transformadoras, revolucionárias ou coisa que o valha. Não defendemos que o uso de drogas traga um mundo melhor, mas não deixamos de ver o evidente: a proibição do consumo de algumas delas torna o mundo muito pior.

Você se importa com o encarceramento em massa? O Brasil já é o terceiro país que mais prende seus cidadãos no mundo, atrás apenas de EUA e China, e dos cerca de 500 mil detidos no país praticamente um quarto deles está nesta situação desumana por conta de crimes relacionados a drogas.

Você se importa com o racismo e a criminalização da pobreza? A origem da proibição da maconha, e de outras drogas, está altamente conectada com discursos e práticas racistas e xenófobas, em todo o mundo. No Brasil, a primeira lei que criminalizou a maconha tinha como alvo a população negra do Rio de Janeiro, e hoje a maior parte dos afetados pela guerra às drogas tem pele escura e baixas condições econômicas. Enquanto ricos e classe média são identificados como usuários, o pobre é sempre o traficante, com a guerra às drogas servindo como instrumento estatal de segregação e controle social de populações desfavorecidas.

Você se importa com o sofrimento humano e com o avanço da ciência? A proibição das drogas não só impede tratamento efetivo, de qualidade e público aos que fazem uso abusivo como freia também o desenvolvimento da ciência, que pode ter muitos ganhos com as pesquisas sobre psicotrópicos em geral. Já foi provado cientificamente o valor medicinal da cannabis – e de outras drogas transformadas em “tabu” – no tratamento de diversas enfermidades que sofremos, aliviando seus sintomas e preparando a cura: câncer, AIDS, Mal de Parkinson, depressão, ansiedade, enxaqueca e a lista não para de crescer.

Você se importa com informação de qualidade e prevenção ao uso abusivo? Você se importa com direitos civis e liberdades individuais? Você se importa com a situação da mulher e o encarceramento feminino no Brasil? Você se importa com a corrupção? Você se importa com guerras e conflitos armados ao redor do mundo? Você se importa com a colonização da política e da vida empreendida pelas indústrias armamentista e farmacêutica?

Chegou a hora de ver que isso não interessa só a meia dúzia de maconheiros, chegou a hora de parar de estigmatizar este debate. Chegou a hora de encarar os fatos, olhar nos olhos da realidade e ver que como está não pode ficar. A luta contra o proibicionismo quer colocar seus ombros ao lado de todos que lutam por outro mundo, assim como convidar aqueles e aquelas que dizem um basta à injustiça e à opressão a participar de nossa caminhada. Afinal, quando uma luta avança, nenhuma outra retrocede.

Basta de racismo, moralismo, violência, corrupção e proibição. Queremos o direito à saúde, à informação, ao próprio corpo, à autonomia, à liberdade: é tempo de uma nova política de drogas para o Brasil.

Já assinam:

Marcha da Maconha São Paulo
ABESUP – Associação Brasileira de Estudos Sobre Psicoativos
Amparar – Associação de Amigos e Familiares de Presos
ANEL – Assembleia Nacional de Estudantes – Livre
CEDECA Interlagos
Centro Acadêmico Benevides Paixão – PUC-SP
Coletivo Cultivando uma Ideia – Viçosa (MG)
Coletivo DAR – Desentorpecendo a Razão
Coletivo Plantando Consciência
Coletivo Revolução Verde
Coletivo Semeando
Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social (ENECOS) – Regional SE1
Growroom
Marcha da Maconha Juiz de Fora
Marcha da Maconha Viçosa
MTST – Movimento dos Trabalhadores Sem Teto
NEILS- Nucleo de Estudos de Ideologia e Lutas Sociais da PUC – SP
NEIP – Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos
ONG Centro de Convivência É de Lei
ONG Plantando Consciência
Rede Pernambucana de Redução de DanosTribunal Popular – O Estado
brasileiro no banco dos réus

Com o “Dedo na Ferida” o rapper Emicida é detido pela PM após show em BH

Destacado

Por Caue Pastrello,
estudante de ciências sociais da Unicamp

13 de Maio de 2012, há exatamente 124 anos, em 1888, se oficializava a “libertação dos escravos”. Porém, em Belo Horizonte, na noite deste 13 de Maio, o rapper negro Emicida, no fechamento do evento Palco Hip – Hop, movimento artístico negro, cantando para a juventude negra, foi detido pela PM por desacato a autoridade. A apresentação de Emicida começou com uma mensagem de apoio a Ocupação Eliana Silva que contava com cerca de 350 famílias, e recentemente, dia 11, foi desocupada de forma brutal pela PM de Minas Gerais a mando da Prefeitura de BH. O rapper nunca se omitiu ante a forma violenta com que a polícia e os governos tratam as famílias mais humildes e o povo pobre em geral. No caso da desocupação e expulsão de 1600 famílias do Pinheirinho, em São José dos Campos, realizada pela PM, no dia 22 de janeiro de2012, a mando do governador Geraldo Alckmin (PSDB), da prefeitura de São José dos Campos, também governada por Eduardo Cury (PSDB), e da Justiça do Estado de São Paulo, Emicida prestou total solidariedade e disse que o acontecido fazia com que o Pinheirinho fosse “o Canudos do século XXI”.

Após a sua intervenção em forma de protesto, Emicida começou a cantar sua música “Dedo na Ferida”, que trata justamente deste tema, após pouco tempo a polícia começou a invadir o palco e querer prender Emicida por desacato. Seria desacato se utilizar do microfone para protestar contra a forma violenta com que a PM trata os mais humildes? Seria desacato protestar contra a política brasileira que trata como caso de polícia qualquer movimento social? Como o próprio Emicida diz em “Dedo na Ferida”: “Ainda vivemos como nossos pais Elis… Quanto vale uma vida humana, me diz?”. Parece que ainda vivemos no tempo dos nossos pais, pois ao vermos ações como essa, imaginamos que a ditadura ainda não acabou, e as vítimas dessa repressão e perseguição têm classe e cor, o povo pobre negro da periferia. Com certeza para a PM e para os políticos, a vida humana vale muito menos do que qualquer propriedade privada, seja ela de especuladores ou abandonadas.

Se o povo negro não tem direito sequer a uma denúncia quando seus direitos são violados, se não podem sequer ter sua voz amplificada através do movimento Hip – Hop, que dirá então em ambientes de produção de conhecimento, como as Universidades Públicas? Pois a mesma elite que pressiona para que os governos ataquem o direito das famílias à moradia em favor de suas propriedades, é a elite que se põe de pronto contra as Cotas Raciais nas Universidades, se apoiando no mito da “democracia racial”, e tentando esconder a imensa desigualdade de oportunidades que os negros e negras têm de enfrentar, condenando o povo negro à marginalização. Vemos, com a atitude da PM, que a repressão dos senhores de escravos foi substituída pela ação de polícias e milícias, que exterminam jovens negros na periferia e buscam calar aqueles que denunciam a opressão. Após o show Emicida foi levado a uma delegacia e em seguida liberado.

Por isso é necessário organizar a resistência a esses ataques e a política de criminalização da pobreza e da periferia. O movimento hip-hop é hoje uma expressão dessa resistência, e assim como os quilombos o foram no passado, é perseguido e criminalizado pelo governo e pela polícia. É preciso denunciar essa falsa democracia que vivemos, onde quem manda são os ricos e empresários e o povo trabalhador não tem voz nem vez. Como diz Emicida em “Dedo na Ferida”: “Porque a justiça deles, só vai em cima de quem usa chinelo e
é vítima […]” e a “[…] agressão de farda é legítima”.

– Total solidariedade ao rapper Emicida e a todos os artistas engajados na luta pela transformação social!
– Contra a criminalização da pobreza, da população negra e dos movimentos sociais!
– Pela desapropriação do terreno do Pinheirinho em prol dos trabalhadores!
– Pela implantação de cotas raciais nas universidades, proporcionais à população negra da região respectiva!

Nota da ANEL Campinas sobre a punição dos estudantes que lutam por permanência estudantil na Unicamp!

Destacado

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O início de 2011 foi marcado pela truculência do reitor da Unicamp, Fernando Costa, por meio do administrador da moradia, Viotto, que vem sistematicamente perseguindo estudantes dentro da moradia estudantil, chegando a tentar expulsar estudantes: mulheres com filhos maiores de 7 anos, estudantes estrangeiros vindos da África e estudantes que não estão no perfil selecionado pelo SAE. Esta política da reitoria nada mais é do que uma maneira de tentar mascarar a evidente superlotação da moradia que não comporta todos os estudantes que precisam de um lugar para morar. Desde a década de 80, período que a moradia foi feita, a Unicamp mais que dobrou em número de estudantese a moradia não aumentou suas vagas, ela está superlotada.

No começo daquele ano os estudantes se mobilizaram na luta pela ampliação da moradia para que ela possa receber os estudantes que não tem condições de pagar os aluguéis altíssimos fruto da especulação imobiliária de Barão Geraldo.

Após anos exigindo condições dignas de moradia e vagas para todos, ocupamos a administração da moradia para chamar a atenção da reitoria e da opinião pública quanto ao problema que impede o direito ao acesso a educação. E por duas vezes o reitor chamou a tropa de choque para dentro da Moradia, ou seja, dentro de nossas casas para impedir que os estudantes se manifestassem. Em seguida abriu processo disciplinar contra 5 estudantes como forma de punição exemplar. No dia 2 de fevereiro de 2012 saiu no diário oficial o resultado do processo disciplinar: a suspensão por 6 meses destes estudantes.

Sabemos que a política de Fernando Costa, assim como de Rodas, reitor da USP, segue a risca os mandos do governo do Estado de SP de Geraldo Alckimin: a privatização e elitização da USP e Unicamp. Para atingir este fim se utilizam de todos os métodos  repressivos contra os que combatem o seus projetos, reafirmando o perfil antidemocrático da universidade.

Os tucanos estão na ofensiva contra os movimentos sociais em todo Estado como ocorre na política de “limpeza social” e guerra aos pobres na favela do Moinho, na “Cracolândia” e na desocupação das famílias do Pinheirinho em São José dos Campos.

Estes governos tem como “diálogo” o coturno e o cassetete. São dezenas de casos só nas estaduais paulistas: a prisão de 73 estudantes que ocupavam a Reitoria da USP, o não diálogo e a criminalização da greve dos trabalhadores da Unicamp, o ataque a sede do Sintusp, a expulsão de 6 estudantes da USP que ocuparam o CRUSP, entre diversos outros casos.

Temos nosso método de auto organização para combater estes ataques, os estudantes e os trabalhadores não cederão a repressão! Seguiremos lutando por uma universidade pública de qualidade com uma política de permanência estudantil que contemple os filhos dos trabalhadores. Não vamos nos intimidar.

Pela ampliação da moradia da Unicamp para garantir acesso a todos!

Não ao CR como critério de acesso a bolsa trabalho do SAE!

Por uma política de permanência estudantil que contemple os filhos dos trabalhadores!

Fora Viotto e Fernando Costa!

Alckimin reprime para seguir privatizando!

Precisamos de segurança e moradia e não polícia e repressão!

Por uma Universidade a serviço dos trabalhadores!

Moção de apoio aos trabalhadores da cultura

Nota de apoio da ANEL-SP ao Movimento dos Trabalhadores da Cultura*

Nós, estudantes da ANEL – Assembléia Nacional dos Estudantes Livre -, mostramos nosso apoio e solidariedade ao Movimento dos Trabalhadores da Cultura, que desde o dia 25 de julho ocupam a sede da FUNARTE/SP, sob a bandeira: “Trabalhadores da cultura, é o hora de perder a paciência”.

Tal como sujeitado ao setor da educação e da saúde, a cultura também foi vitima do corte de R$ 50 bilhões protagonizado pela presidente Dilma Roussef como uma das primeiras medidas do seu governo. O orçamento destinado à cultura que era de 0,2% do PIB, com o contingenciamento de 2/3 (dois terços) passou para os 0,06%, distante até mesmo do valor recomendado pela própria UNESCO de 2% do PIB para a Cultura.

Portanto, a ANEL também empenha as reivindicações do movimento defensor de políticas públicas estruturantes que garantam condições dignas de trabalho para os Trabalhadores de Cultura e, para todo o povo, maior acesso aos bens culturais. Estamos juntos contra as leis de renúncia fiscal, como a Lei Rouanet, beneficiadora apenas da iniciativa privada; descontingenciamento imediato dos 2/3 do orçamento destinado à cultura no Brasil; pela aprovação dos Projetos de Emenda Constitucional 236 (que garante a cultura como direito social) e 150 (que prevê a destinação de 2% do orçamento para a cultura).

E convidamos todos trabalhadores da cultura a se somarem à Jornada Nacional de Lutas do mês de agosto e à marcha à Brasília do dia 24, para que os trabalhadores não sejam mais uma vez vítimas do descaso governamental. E que a cultura no Brasil se desfaça de todo o seu negligenciamento e do seu cunho midiático e que seja valorizada e devidamente financiada para objetivar sua função pública e independente!

*Trabalhadores da Cultura, é hora de perder a paciência!*

Chile: El Maremoto Estudiantil

Ontem, quinta-feira, dia 15/07, cerca de 70 pessoas foram presas e pelo menos 40 ficaram feridas durante uma manifestação estudantil pacífica em defesa do ensino público, uma das maiores desde a redemocratização dos anos 90. É a terceira vez em menos de um mês que milhares de estudantes, professores, funcionários, pais, e setores que apoiam a luta pelo ensino público ocuparam as ruas de Santiago.

O ato foi marcado pelo colorido das manifestações culturais e pelo brutal repressão policial desde o começo até o fim da manifestação, o que transformou a rua Alameda, principal de Santiago, em um campo de batalha; mais uma prova de que o governo não quer dialogar ou ceder.

A ANEL acompanhou as manifestações chilenas levando o apoio dos estudantes brasileiros livres.

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Confira todas as fotos da ANEL no Chile

Confira o 2º relato da ANEL no Chile:

Valparaíso, 15 de julho de 2011.

Ontem foi o dia de paro nacional: uma convocacao das principais entidades dos movimentos sociais do Chile, em especial as estudantis, para que houvessem marchas em diferentes cidades. Mesmo em plenas férias, os estudantes foram as ruas defender a educacao.

Creio que participei do maior ato da minha vida, e sem dúvida o mais empolgante. A sensacao de estar presenciando um ascenso que toma conta do país, que atravessa a vida de toda a populacao, que faz com que a defesa da educacao gratuita e de qualidade seja algo incontestavel por todos é indescritível. Participei do ato na cidade de Valparaíso, que está também muito mobilizada, e tem uma grande tradicao de luta. Haviam entre 30 e 40 mil no ato, pelo que se pode contar. Valparaiso é uma pequena cidade com menos de 1 milhao e 500 mil habitantes, cheia de casinhas que se espremem uma ao lado da outra, todas coloridas, ocupando os morros da cidade. Muita charmosa e aconchegante.

“El Maremoto Estudiantil”

O que mais chama atencao na marcha, é sem dúvida, a criatividade e irreverencia da juventude chilena, e a firmeza de seguir até o fim. Havia de tudo lá. Bonecoes de papel maché com um estudante dizendo SOS e o governo “lucro”, um time de chicas de topless com o corpo todo pintado como um time de futebol com o nome dos governantes e um $ atras, seguida de um bloco de Conga (musica cubana) com paródias em defesa da educacao, vários carros dos carabineros (policiais) feitos de papelao, ridicularizando a repressao. Uma coluna com os “300 guerreiros”, fazendo uma paródia do filme, lutando pela educacao, um leite gigante, uma paródia dos simpsons, meninas fantasiadas de prostitutas, tartarugas que se rastejavam, os “infectados pelo sistema” todos cheios de feridas e andando como zumbis, vários lápis gigantes, muitos palhacos, malabares e coisas de circo, caveiras que eram as “vitimas do sistema”, pipas em defesa da educacao… Além, é claro, de todo tipo de faixas e dizeres, cantos dos mais criativos, especialmente dos secundaristas, que pulavam, corriam, gritavam, se sentindo num verdadeiro extase: “chi, chi, chi, le, le, le, secundarios de chile!”. A presenca tambem de outras entidades e movimentos sociais, como os trabalhadores do Porto que com seus enormes caminhoes ficaram buzinando em apoio a nossa luta; foi um dos momentos mais marcantes da marcha. Os representantes estudantis disseram, e eu concordo: foi uma marcha que entrou pra história.

Em Santiago, a marcha chegou, de acordo com os organizadores, a 100 mil pessoas, também cheia de criatividade juvenil. Fiquei sabendo que outras vezes, já organizaram muitos protestos reunindo uma galera numa praca pra fazer um ato lúdico. Por exemplo, uma vez cerca de 500 estudantes fazendo a coreografia do Thriller, do Michael Jackson. Outra vez, mais de 1000 fizeram o “suicídio pela educacao”, quando de uma hora pra outra em uma praca no centro da cidade todos cairam no chao, se fingindo de mortos, e tinha apenas uma menina com um cartaz dizendo que todos morreram esperando as reformas educacionais. Bom, volatando a marcha de ontem… Quem acompanhou nos jornais deve ter visto que houve muita repressao em Santiago. Aqui, para fazer uma mobilizacao, o governo deve autorizar (!) o trajeto que a marcha vai fazer. E dessa vez, autorizaram um trajeto mais distante do centro, e obviamente os estudantes – que nao estao muito preocupados com a legalidade neste momento – fizeram o ato onde sempre se faz, em frente ao palacio do governo “La Moneda”, na Plaza de Italia. Desde o comecinho do ato, os carabineiros foram pra cima dos manifestantes. Com os já conhecidos gás lacrimogemio e jatos d`água, buscavam dispersar os manifestantes que jogavam pedras na policia. Depois de dissolver um primeiro grupo que se enfrentava mais diretamente com a policia, partiram para o resto do ato, que concentrava as manifestacoes culturais e as colunas de cada universidade e colegio. Durante duas horas, a principal rua de Santiago, Alameda, se tornou um verdadeiro campo de batalha. Uma repressao terrivel do governo, em uma manifestacao pacifica! Mais uma demonstracao que nao esta disposto a qualquer dialogo e que nao esta disposto a ceder. Azar o dele: os estudantes também nao.

Participei de uma reuniao dos pais de alunos de um colégio ocupado em Valparaiso e foi incrivel. Estavam presentes os pais, parentes e representantes estudantis. O nivel de conscientizacao das familias, e da necessidade que entrem tambem na luta é muito grande. Uma mae dizia na reuniao, que o governo quer que se fazer de vitima, utilizando de um discurso que está disposto a negociar, que já deu várias propostas e que o movimento que é intransigente e só quer fazer baderna. Mas o problema é que as propostas que deu nao passam nem perto de solucionar os problemas! Em todas as reunioes que estive, ha uma certeza muito grande que as lutas devem se seguir, ampliar suas reivindicacoes e aliancas com outros setores de trabalhadores. E todos tem certo que precisam enfrentar com forca a proxima semana, porque a seguinte será determinante para a continuidade ou nao das lutas: as aulas vao voltar. Se se seguem as ocupacoes depois da volta as aulas, sem duvida o movimento ganha uma forca muito maior.

“As veias da América Latina ainda seguem abertas”

Esses dias que passei aqui no Chile, na minha primeira viagem a algum país da América Latina, senti como nunca como somos “hermanos latino-americanos”. Esse sentimento de uniao entre nós, que os chilenos me fizeram sentir quando sorriam de alegria e me abracavam com forca por saber que no Brasil tem apoio também para sua luta, é algo que temos que nos agarrar com forca. Os planos do imperialismo para a educacao, especialmente do Banco Mundial e do FMI, sao os mesmos para o conjunto da America Latina. Dizia-lhes que passavamos pelos mesmos problemas, que havia um Plano Nacional de Educacao no Brasil que iria avancar mais na privatizacao e que podiamos chegar a ter, como eles, todas as universidades publicas com cobranca de taxas e completamente privatizadas, e eles também nos davam incentivos para lutar.

Ficaram muito impressionados, especialmente os representantes das entidades, com a forma de organizacao democratica da ANEL. Um chico do centro de estudiantes do Liceo Eduardo de la Barra me disse, depois de lhe explicar o funcionamento da ANEL: “Isso é um sonho meu de ter algo assim aqui! Precisamos de uma entidade como essa.” – e eu lhe incentivei que criassem. A alianca com secundaristas e universitarios e o controle pela base era o lhes chamava mais atencao, porque as entidades aqui, especialmente de universitarios como a CONFECH, sao extremamente burocráticas. O movimento, porém, é mais forte e está fazendo avancar uma reorganizacao pela base muito grande. Essa reorganizacao, junto com a forca das mobilizacoes e com a alianca cada vez maior com os trabalhadores, ainda vai fazer o governo Piñera tremer na base. Lutando para que caia o Ministro da Educacao, por um Plebiscito oficial sobre a gratuidade do ensino, uma reforma estrutural na educacao e por uma mudanca constitucional, eu espero – e junto comigo todos os “chilenos libres” – que ganhe cada vez mais forca esta luta, “hasta la victoria”.

“Yo que soy americano,
no importa de que país,
quiero que mi continente
viva algún día feliz.

Que los países hermanos
de Centroamérica y sur
borren las sombras del norte
a ramalazos de luz.

Si hay que callar
no callemos,
pongámonos a cantar.
Y si hay que peliar,
peliemos,
si es el modo de triunfar.

Por toda América soplan
vientos que no han de parar.
Hasta que entierren las sombras,
no hay orden de descansar.”

Inti-Illiami,

La Segunda Indpendencia

PS1: desculpem a falta de acentos… é que estou num computador chileno, e nao tem todos os nossos acentos aqui.

PS2: vejam as fotos do ato no álbum picasa da ANEL!

Fonte: http://www.anelonline.org/?p=2314

ANEL no Chile: em defesa da educação pública

A ANEL enviou Clara Saraiva, da Comissão Executiva Nacional da entidade, ao Chile para acompanhar e se solidarizar com as fortes manifestações estudantis que ocorrem naquele país.
Clara participou, na semana passada, de um programa na rádio 1º de Maio. Em pauta, os protestos estudantis, em um debate que também contou com a presença de representantes da CONFECH e da ACES, federações de estudantes universitários e secundaristas do Chile, respectivamente.
A luta dos estudantes chilenos já vem há semanas mobilizando milhares em todo o país e colocando o governo Piñera contra a parede. As principais exigências giram em torno ao aumento de verbas para a educação pública, estatização de escolas e universidades e reformas no sistema educacional de conjunto

1º relato da ANEL no Chile

Juventude chilena luta e beija em defesa da educação pública

Relato de mães de secundaristas chilenos

Carnaval em Plaza de Armas

Veja todas as fotos

1800 horas em defesa da educacao pública

1800 horas em defesa da educacao pública

Participacao da ANEL junto com a CONFECH e ACES no progama da rádio 1o de maio

Entrada da FAU - Universidad de Chile

Quadro da reuniao da ANES com contato da ANEL

Liceo de Aplicacion "en toma"

Carnaval en la Plaza de Armas

Universidad de Chile "en toma"

Universidad de Chile "en toma"

Universidad de Chile "en toma" - Prédio Central

Universidad de Chile "en toma"

Manifesto dos estudantes em defesa da candidatura do Prof. Alvaro Bianchi (MS-3) ao CONSU – Eleições 2011

Manifesto dos estudantes em defesa da candidatura do Prof. Alvaro Bianchi (MS-3) ao CONSU – Eleições 2011

A difícil situação pela qual passa a Universidade brasileira hoje, com a falta brutal de investimentos de ensino, pesquisa e extensão, bem como a precarização das condições do trabalho docente e técnico-administrativo, faz parte também da realidade dos estudantes da graduação e pós-graduação da Unicamp. A Unicamp “está em estado de emergência”; no momento em que mais precisamos encontrar alternativas coletivas para esses problemas, a nossa atual Reitoria fecha suas portas e atua de maneira anti-democrática. Isso se expressa na forma como é realizada a eleição para o Conselho Universitário (CONSU): a representação eleita pelos docentes é inferior ao número de conselheiros “permanentes” (que ocupam cadeiras no Conselho sem terem sido eleitos para esse fim). A falta de democracia também se verifica nas perseguições realizadas pela administração central da Universidade aos  funcionários e estudantes que participaram das manifestações realizadas nos últimos dois anos em defesa da Universidade.
   Mais do que nunca, é preciso unificar os três segmentos (estudantes, professores, funcionários) e retomar a construção de um projeto de educação superior alternativo ao vigente. Nesse sentido, manifestamos nosso apoio à candidatura do Prof. Alvaro Bianchi, entendendo que sua atuação no CONSU pode somar forças a esse movimento necessário.
Reproduzimos aqui a pauta de sua campanha:
1. Contratação imediata, por concurso público de 297 professores da carreira MS e 1.259 funcionários técnico-administrativos, restabelecendo o quadro funcional equivalente ao ano de 1994.
2. Compromisso institucional com o aumento da cota-parte do ICMS para as universidades de 9,57% para 11,5%. 
3. Democratização efetiva das políticas de acesso à universidade com a criação de cursos noturnos e ampliação das políticas de permanência estudantil.
4. Contra a criminalização dos movimentos sindicais e estudantis da Unicamp. Pela retirada de todos os processos administrativos contra estudantes e funcionários que se lutam.
5. Ampliação do CONSU e da representação eleita dos docentes, funcionários e estudantes.
6. Estatuinte universitária.

Assinam esse manifesto (enviar novas assinaturas para danixhm@yahoo.com.br ou otaviocj@gmail.com):
  1. Centro Acadêmico de Ciências Humanas
  2. Aldrey Cristina Iscaro (Mestranda em Ciência Política)
  3. Alexandre Vander Velden (Graduando em História)
  4. Ana Elisa Cruz Corrêa (mestranda em ciência política)
  5. Antonio Brunheira Jr. (Graduando em História)
  6. Bruna Santinho (Graduanda em Ciências Sociais)
  7. Caique Bartolo (Graduando em Ciências Sociais)
  8. Camila Góes (Graduanda em Ciências Sociais)
  9. Carolina Filho (Graduanda em Ciências Sociais)
  10. Caue H. P. Silva (Graduando em Ciências Sociais)
  11. Daniela Mussi (Doutoranda em Ciência Política)
  12. Danilo Martuscelli (Doutorando em Ciência Política)
  13. Elisa Pornau
  14. Fabio R. Busso (Graduando em Ciências Sociais)
  15. Flavio Pereira (Graduando em Ciências Sociais)
  16. Gabriel Fardim (Graduando em Ciências Sociais)
  17. Giulliane de Almeida Brandão (Graduanda em Ciências Sociais)
  18. Iaci Maria Teixeira
  19. Isabela Amante (Graduanda em Ciências Sociais)
  20. João de A. R. Campinho (Mestrando em Ciência Política)
  21. João de Regina (Graduando em Ciências Sociais)
  22. João Pedro Mendonça (Graduando em Ciências Sociais)
  23. Laís Caçula (Graduanda em Ciências Sociais)
  24. Leonardo Minelli (Graduando em Ciências Sociais)
  25. Liliane Bordignon (Graduanda em Ciências Sociais)
  26. Luciana Aliaga (Doutoranda em Ciência Política)
  27. Luciana Nogueira (Doutoranda em Linguística)
  28. Luiz Fernando Rodrigues (Graduando em Letras)
  29. Luiz H. Lessa (Graduando em Ciências Sociais)
  30. Maíra Bichir (Mestranda em Ciência Política)
  31. Marcelo Saraiva (Graduando em História)
  32. Marina Serva (Graduanda em Ciências Sociais)
  33. Mário Carneiro
  34. Miguel Damba (Graduando em Artes Cênicas)
  35. Milena Bagetti (Doutoranda em Ciência de Alimentos)
  36. Otávio Calegari Jorge (Mestrando em Sociologia)
  37. Patrícia Rocha Lemos (Mestranda em Ciência Política)
  38. Rafael Tadeu dos Santos Mano (Mestrando em Sociologia)
  39. Renato Cesar Fernandes (Mestre em Ciência Política)
  40. Rodolfo Dias Palazzo (mestrando em Ciência Política)
  41. Sabrina Areco (Doutoranda em Ciência Política
  42. Susana D. Rizzoto (Graduanda em Ciênciais Sociais)
  43. Sydnei Ulisses de Melo Jr. (Graduando em Ciências Sociais)
  44. Thaís Lima Martim (Graduanda em Ciências Sociais)
  45. Thiago Trindade (doutorando em Ciências Sociais)
  46. Verônica Gomes (Mestranda em Ciência Política)
  47. Vinícius Almeida (Mestrando em Ciência Política)
  48. Vinicius de Mattos (Graduando em Ciências Sociais)
  49. Vinicius Ribeiro A. Teixeira (Graduando em Ciências Sociais)
  50. Yan Caramel (Graduando em Ciências Sociais)