HOJE: Planejamento de ações contra a violência às mulheres

Hoje, 17h30, no Teatro de Arena da Unicamp

A ANEL-Campinas chama todos a participarem da reunião de planejamento de ações contra a violência às mulheres.

Anúncios

Lutando para Lutar: A Anel e a Construção de uma Alternativa para o Movimento Estudantil Combativo

Crítica do Direito – [Eli Magalhães] Certa feita, em um debate sobre a situação do movimento estudantil e o papel da União Nacional dos Estudantes (UNE), no ano de 2005, na Universidade Federal de Alagoas, um companheiro iniciou a atividade de maneira inusitada. Referindo-se a Gabriel García Márquez, em seu clássico Crônica de uma morte anunciada, arrematou que, como o escritor colombiano inicia seu livro, ele gostaria de iniciar o debate declarando a morte de seu personagem principal: a UNE.

Passados quase seis anos, é possível ser vista a seguinte notícia em inúmeros sítios da internet: UNE pede apoio a mantenedores de instituições de ensino superior particulares (http://www.abmes.org.br/abmes/noticias/detalhe/id/230). Durante a leitura da matéria, encontra-se a seguinte passagem:

Chagas [presidente da UNE] afirmou que a UNE está empenhada em fazer com que a educação possa se desenvolver no Brasil e ressaltou que muitas das batalhas têm sido vencidas junto com o setor privado. ‘Nós sabemos do papel que o ensino particular tem desempenhado historicamente na estruturação da educação brasileira’, reforçou, complementando que já foram superados alguns equívocos que impedem a visão clara da real contribuição do setor neste contexto”.

Ora, o leitor deve saber que uma Instituição de Ensino Superior privada é, na verdade, uma empresa. Uma empresa cujo objeto de atividade é a prestação de serviços na área de educação, é óbvio, mas ainda assim, uma empresa. Como se sabe, o objetivo principal de uma empresa (repetimos propositalmente este termo), pela sua própria manutenção, é a obtenção de lucro. O lucro, por sua vez, é também privado. E em um país em que 80% das matrículas no ensino superior estão no setor privado, e apenas 20% no setor público, este lucro não é pequeno.

A única contribuição do setor privado à educação nacional é a da transformação daquilo que é estabelecido como um direito fundamental de todos os cidadãos em mercadoria. A educação é garantida a você, contanto que tenha dinheiro para pagar por ela. Assim, no Brasil, menos de 15% da juventude tem acesso ao ensino superior. Que espetacular “contribuição”!

A UNE, no entanto, a reconhece. Não só busca parceria com a ABMES (Associação Brasileira de Mantenedores de Ensino Superior), como, assim diz a matéria de que tratamos, pede para que o seu 52º Congresso Nacional, seja financiado por ela.

Historicamente o movimento de luta pela educação combate pela garantia de uma educação pública universalizada e de qualidade. Ora, porque uma associação de mantenedoras de instituições privadas financiaria tal luta? É um completo contra senso doar fundos para aquele que declara uma luta feroz contra você. Ainda que não passe de uma proposta, que partiu da própria UNE, a ideia de financiamento de seu principal espaço político nacional por parte do setor empresarial da educação significa duas coisas simples: primeiro, a entidade abandonou completamente sua independência financeira do grande capital e especialmente do capital adquirido através da venda de um direito o qual ela deveria defender; segundo, o abandono desta independência financeira é causa e consequência do abandono de sua independência política, para permanecer na luta pela qualidade e garantia da educação para todos, em defesa da educação pública.

Passados seis anos, então, parece-nos que a forma de iniciar o debate fazendo referência à García Márquez continua válida. A UNE morreu. Aquela União Nacional dos Estudantes, que lutou, durante os períodos mais negros da ditadura militar, contra o governo repressor e seus planos de desbaratar completamente a educação pública no país através dos acordos MEC-USAID, não existe mais infelizmente. Aquela União Nacional dos Estudantes que levantou a palavra de ordem “O Petróleo tem que ser nosso!” pela completa estatização do petróleo nacional, hoje declara-se apoiadora incondicional do governo que organiza leilões das jazidas nacionais para as Big Oil’s mundiais. Enche a boca para falar que defende 50% do Pré-sal para a educação, mas esquece de dizer que este 50% é apenas de seu fundo social, que não passa de míseros 9% da riqueza que ele representa, ficando 91% para a burguesia.

A UNE de hoje, recebe R$ 10 milhões do Governo Federal e assina embaixo de todos os seus projetos privatistas para a educação. É a UNE que apoia o financiamento público para universidades privadas com o ProUni (através da isenção de impostos de universidades privadas, já foi gasto o dobro do orçamento da educação e da saúde juntos através deste programa, que não foram investidos no setor público); a UNE que apoia a expansão precarizada das universidades federais com o ReUni; a UNE que apoia a avaliação punitiva e ranqueadora do SINAES (que inclui o ENADE, uma cópia piorada do Provão de FHC) e um longo etc. E hoje, nos Congressos da UNE, existem mais falas de ministros e secretários do governo, do que de estudantes e trabalhadores. E a entidade gasta mais tempo em reuniões de gabinete, do que na luta de rua pelos direitos dos estudantes.

Portanto, a UNE morreu, mas para a luta dos estudantes. Ela continua existindo, com bastante força inclusive, mas do outro lado do movimento pela educação. Apoiando toda a política de reforma universitária que foi implementada durante dois mandatos de Lula e que continua com o Plano Nacional de Educação de Dilma.

Frente a isto, em 2009 surge a Assembleia Nacional dos Estudantes – Livre. A ANEL é um acúmulo de um setor do movimento que desde 2003 rompe com a União Nacional dos Estudantes e declara-se independente dos governos, de suas políticas e de seu dinheiro. O objetivo principal da entidade é a recuperação da autonomia do movimento estudantil e sua reorganização para o combate em defesa do direito à educação pública, gratuita e de qualidade.  No último feriado de Corpus Crhisti, de 23 a 26 de Junho, foi realizado o seu primeiro Congresso Nacional na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, quando a entidade completava dois anos de existência.

Durante o Congresso, foram feitos debates e propostas para a atual situação do movimento estudantil nacional. Ele inicia com um balanço positivo dos dois anos de atuação da ANEL. Neste período, a entidade tocou campanhas importantes como de solidariedade às vítimas do terremoto do Haiti em conjunto com a retirada das tropas brasileiras que ocupam militarmente o país; pelo Fora Sarney, envolvido com casos de corrupção, e pelo fim do Senado; pela organização de um dia de luta nacional contra o aumento das passagens de transporte público; pela criminalização da homofobia etc. Recentemente, a ANEL-RJ esteve intimamente envolvida com a luta dos bombeiros unificada com aquela dos professores do estado, que chegou a mover 50 mil pessoas no Rio de Janeiro. A ANEL-AL esteve entre as principais entidades das mobilizações pelo Fora Téo, contra o governo tucano do estado, com passeata de quase 2 mil pessoas. A ANEL-RN segue firme na luta pelo Fora Micarla. E estes são apenas alguns exemplos.

O Congresso reafirmou os quatro princípios da entidade, que permitiram que estas campanhas pudessem ser tocadas: ampla democracia interna; aliança com a classe trabalhadora; independência financeira; e ação direta. As falas de entidades convidadas ao evento confirmam o compromisso da ANEL com as lutas dos trabalhadores e de todos os explorados e oprimidos. Durante os debates, os estudantes presentes puderam receber saudações de sindicados e movimentos como o ANDES-SN, o MST, o MTST, o comando de Greve dos trabalhadores da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, do sindicato da construção civil de Fortaleza, da CSP-Conlutas, sem falar em saudações internacionais de estudantes participantes do movimento 15-M espanhol, responsável pelas recentes ocupações de praças no país, de um estudante suíço que fez um relato sobre as lutas da juventude europeia como um todo, estudantes argentinos que participaram do recente estudiantazo em 2010, com ocupação da Universidade de Buenos Aires, de participantes da 3ª Intifada Palestina, além do relato da própria militante enviada pela ANEL para a cidade do Cairo no Egito, Clara Saraiva. Foram pontos fortes as saudações feitas pela professora Amanda Gurgel e por uma das lideranças do movimento dos bombeiros no Rio de Janeiro, o Cabo Daciolo.

Os debates foram organizados em plenárias e grupos de discussão e decorreram com bastante democracia e ampla abertura de participação dos estudantes. Nem sempre foram calmos, mas ocorreram mesmo momentos de polêmicas acaloradas. O tema do apoio aos bombeiros chegou a dividir o plenário, ficando uma ampla maioria na defesa do apoio, enquanto a minoria, organizada em torno do bloco Anel às Ruas (algo próximo a 100, dos 1700 participantes), defendia uma posição de contrariedade ao apoio à luta da categoria combinada com uma oposição a Sérgio Cabral.

Este contudo, não foi o principal tema do congresso, mas cremos que outros três foram de importância capital: a aprovação e organização de uma campanha nacional de exigências de 10% do PIB para a educação já e contra o PNE de Dilma; as resoluções que denotam a preocupação dos estudantes da ANEL com a necessidade de trabalho de base, revertendo anos de atraso deixados pela UNE neste campo, numa luta audaz pela reconstrução do movimento estudantil brasileiro em cada universidade e escola do país; as resoluções resultantes dos debates acerca do combate às opressões como racismo, machismo e homofobia, que foram temas acerca dos quais os estudantes dedicaram parte considerável das discussões, com direito a atos políticos durante o próprio congresso contra o machismo e a homofobia.

Para além da programação oficial, muitos eventos eram realizados paralelamente, nos espaços de folga. Foram reuniões de estudantes por cursos, que discutiram os problemas específicos de suas áreas; reuniões de coletivos e bancadas; lançamentos de livros; palestras sobre a situação internacional etc. Dentre esta miríade de atividades, nos interessou particularmente o lançamento do livro Sociedade de classes, direito de classes, de Juary Chagas. A atividade foi construída em um dos espaços vagos da programação, logo após um dos almoços. Juary, que lançou seu livro pela Editora Sundermann, apresentou em linhas gerais sua obra. Seu discurso foi acompanhado por um punhado de estudantes de direito que levantaram temas de debates como o papel do direito na dominação dos oprimidos, os equívocos das estratégias reformistas que se limitam na luta por direitos, a necessidade de se pensar o direito na transição para o socialismo. Também acompanhou o debate a professora Amanda Gurgel, amiga e camarada que milita no mesmo estado do autor do livro. Após o debate, os estudantes de direito aproveitaram para fazer uma reunião para a discussão de problemas de seus respectivos cursos.

Na relatoria das resoluções da plenária final do Congresso da ANEL, o leitor poderá encontrar inúmeros outros pontos relevantes de discussão. Seria impossível nos limites deste texto comentar todas as propostas aprovadas, que incluem temas como: democratização das comunicações no país; luta contra o agro negócio; luta em defesa do meio ambiente e contra o Código Florestal de Aldo Rebelo (PCdoB e ex-diretor da UNE); contra a criminalização dos movimentos sociais (debate que contou com a presença de militantes presos no Rio de Janeiro durante a visita de Obama); pela construção livre da arte e cultura e contra a lei Rouanet; a preocupação com um esporte livre do capital e voltado para a realização humana, como não acontece com os mega eventos que vêm sendo preparados como a Copa do Mundo e as Olimpíadas etc.

Recentemente, a professora Amanda Gurgel recusou um prêmio oferecido pelo Pensamento Nacional de Bases Empresariais (PNBE), que a titulava como importante brasileira na construção da educação. A recusa da professora se deu por um motivo simples: não se luta pela educação ao lado dos empresários que lucram com a venda dela. O recado da ANEL é, portanto, muito claro. O dinheiro e o apoio do Governo Federal e da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior que fique com a UNE. Os estudantes que constroem a ANEL ficam com Amanda Gurgel, com os trabalhadores que lutam em Jirau, na USP, e em todo o país, com a juventude revolucionária do mundo árabe, com a juventude em luta da Europa e do resto do mundo, com os palestinos que se enfrentam com a política reacionária de Israel, e, especialmente, com a luta por uma educação efetivamente pública, de qualidade e universal. Agora é voltar para as universidades, para as escolas, e enfrentar o marasmo que foi deixado pela UNE. É hora de sacudir o movimento estudantil.

Descrição de possível estuprador

Duas meninas relataram serem seguidas em Barão Geraldo por um homem em um UNO vermelho, nesta semana (sábado de madrugada e terça de tarde):

Izabela Buzetti disse:

19/07/2011 às 10:09 AM

Marilia, fica aqui meu relato divulgado em nota no meu FB!

Meninas de Barão Geraldo: MUITO CUIDADO COM UM UNO VERMELHO COM UM “HOMEM”:

BRANCO

ALTO (1,85 +/-)

CABEÇA RASPADA (TIPO MÁQUINA 2)

CABELOS CASTANHO-CLARO

OLHOS CASTANHOS

CARA TIPO NORMAL, SEM MARCAS NO ROSTO (não sei dizer no corpo porque estava usando roupas de frio)

ESSA CRIATURA ME FEZ PASSAR MAUS BOCADOS EM BARÃO GERALDO NO SÁBADO! Me acossando durante a madrugada do sábado!!!!

Se virem alguma coisa suspeita: LIGUEM PARA A POLICIA OU ALGUM CONHECIDO (COMO EU FIZ) acredito que foi isso que me salvou!!!!

Sábado, voltando da casa de um casal de amigos, eu fui abordada no caminho entre o terminal de BG e a avenida 2.

um homem com a descrição acima, estava parado na calçada de frente ao bar do zé (onde ficam os tios que cuidam dos carros) mas LONGE dos tiozinhos… sentado num canto MUITO ESCURO, que eu só notei quando passei, e o tipo se levantou e disse:

– “Psiu, gostosa”.

(eu me assustei, olhei para tras e marquei bem a cara do sujeito) Peguei meu celular, e liguei para uma amiga (a que eu estava indo para a casa dela) para avisar:

– “estou na frente do bar do zé, em 7min estou na sua casa, se eu não chegar liga pra policia”

quando cheguei no posto de gasolina (do Mac) olhei pra tras e vi o sujeito atravessando a avenida, correndo para uma ruazinha onde as pessoas normalmente estacionam carros (e pensei: bom ou ele vai cobrar alguém ou vai pegar um carro!)

eu segui na av. 2 pelo canteiro central e continuei olhando para tras. quando vi, tinha um uno vermelho todo apagado na esquina do posto!!!! Eu fui atravessar a rua (para entrar para a rua da minha amiga) e o carro ligou e foi me seguindo. eu notei que ele ia virar para o mesmo lugar que eu (rua super vazia) e decidi parar, e voltei para o canteiro central da av. 2.

Liguei para a minha amiga novamente, dessa vez explicando a situação. e informando que estava a uns 4 min de distancia da casa dela, mas que ia ter que passar por aquela ruazinha, só que o carro já não estava mais lá…

entrei na ruazinha, e segui andando pelo MEIO da rua, com as CHAVES na mão e o CELULAR. quando olhei para tras ALI ESTAVA O UNO VERMELHO!!!! eu fui para a calçada e novamente liguei para a minha amiga:

– “ele está aqui, o cara do uno vermelho voltou para a rua que eu estou!”

minha amiga já tinha saido da casa dela… e o carro parou ao meu lado (como que ligado e indo MUITO devagar) abaixou o vidro e começou a falar comigo.

Eu ignorei, e ele começou a ficar nervoso, falar mais alto e mais bravo, dizendo:

-”ENTRA NO CARRO; FICA TRANQUILA, EU NÃO VOU TE FAZER MAL!!! NÃO VOU FAZER NADA QUE VC NÃO QUEIRA”.

nessa hora eu comecei a gritar:

SAI DAQUIIIII e minha amiga já estava na porta da casa dela, acompanhada por mais 2 amigas e o namorado de uma delas, me viram e começaram a chamar meu nome.

O cara acelerou e saiu com o carro muito rápido dali…

POR SORTE não aconteceu nada comigo!!! MAS FICA O ALERTA:

MENINAS FIQUEM ATENTAS!!!!

Daniela disse:

19/07/2011 às 8:37 PM

Meninas,

Hj fui perseguida por um cara com um uno vermelho, na avenida 2. Ele ficou me seguindo bem devagar depois parou o carro perto da academia gold qdo passei ele voltou a andar bem devagar foi até o tilli center e fez o balão qdo virei no posto ele ainda tava me seguindo, entrei no pão de açucar e depois ele ainda tava na avenida Santa Isabel. Graças a Deus não aconteceu nada. Era 17:20. Tomem mto cuidado.

Fonte: http://blogueirasfeministas.com/2011/estupros-barao-geraldo-campinas/

Basta de violência machista!

Na última sexta-feira foi notificado mais um caso de estupro em Barão Geraldo, desta vez perto da moradia da Unicamp. Infelizmente este não é um caso isolado, o que se comprova pelo absurdo de três estupros em apenas duas semanas, um deles perto de um distrito policial próximo à Unicamp. A própria universidade muitas vezes mascara estes dados ao abafar os casos de estupro e mostra total descaso com esta violência brutal ao não tomar medidas, ainda que mínimas, que garantam a integridade física das estudantes, como iluminação adequada, circular interno, e seguranças com concurso público, preparados para prevenir casos como este e receber estudantes que tenham sofrido tamanho trauma.

A resposta da polícia a esta situação, que vem assustando e indignando principalmente moradoras e estudantes, é dizer que é normal em um local com muitos moradores de cidades menores e outros países, que não têm o hábito de tomar os mesmos cuidados que quem já mora em Campinas, haver este tipo de crime. De acordo com o delegado do 7º DP, Tadeu de Almeida, não há motivo para preocupação, já que o número de casos registrados está dentro da média esperada.

Nós, da ANEL, achamos que o machismo é uma ideologia imperante em nossa sociedade, que tem o estupro como sua face mais perversa; repudiamos a declaração do delegado, que apenas  naturaliza esta ideologia, isto é, a própria opressão. É um direito nosso, das mulheres, de ter relações sexuais com quem queremos, mas também é nosso direito de dizer NÃO. E a culpa não é e nunca pode ser jogada na vítima: não é possível que tenhamos nossa liberdade cerceada, que sintamos medo toda vez que saímos de casa ou que usamos tal ou qual roupa.

Porém, também acreditamos que as saídas individuais, como as aulas de defesa pessoal, não bastam. Além de medidas imediatas que busquem prevenir a violência machista, devemos nos organizar, mulheres e homens trabalhadores e da juventude, para combater essa ideologia. E identificar qual o nosso verdadeiro inimigo: o capitalismo, que utiliza do machismo para melhor oprimir e explorar o povo, dividindo mulheres e homens trabalhadores numa luta entre si.

Exigimos nosso direito de estudar e trabalhar sem ter receio na hora de voltar para nossas casas! Exigimos nosso direito de usar minissaias e roupas que desejamos sem o medo de que sejamos as próximas a serem estupradas! Exigimos nosso direito de ter relações sexuais com quem quisermos!

A ANEL se incorpora a essa iniciativa e chama todos a participar da 2ª reunião de planejamento de ações contra violência às mulheres: dia 19/07, terça, das 12h às 13h30, no Teatro de Arena da Unicamp.

Chile: El Maremoto Estudiantil

Ontem, quinta-feira, dia 15/07, cerca de 70 pessoas foram presas e pelo menos 40 ficaram feridas durante uma manifestação estudantil pacífica em defesa do ensino público, uma das maiores desde a redemocratização dos anos 90. É a terceira vez em menos de um mês que milhares de estudantes, professores, funcionários, pais, e setores que apoiam a luta pelo ensino público ocuparam as ruas de Santiago.

O ato foi marcado pelo colorido das manifestações culturais e pelo brutal repressão policial desde o começo até o fim da manifestação, o que transformou a rua Alameda, principal de Santiago, em um campo de batalha; mais uma prova de que o governo não quer dialogar ou ceder.

A ANEL acompanhou as manifestações chilenas levando o apoio dos estudantes brasileiros livres.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Confira todas as fotos da ANEL no Chile

Confira o 2º relato da ANEL no Chile:

Valparaíso, 15 de julho de 2011.

Ontem foi o dia de paro nacional: uma convocacao das principais entidades dos movimentos sociais do Chile, em especial as estudantis, para que houvessem marchas em diferentes cidades. Mesmo em plenas férias, os estudantes foram as ruas defender a educacao.

Creio que participei do maior ato da minha vida, e sem dúvida o mais empolgante. A sensacao de estar presenciando um ascenso que toma conta do país, que atravessa a vida de toda a populacao, que faz com que a defesa da educacao gratuita e de qualidade seja algo incontestavel por todos é indescritível. Participei do ato na cidade de Valparaíso, que está também muito mobilizada, e tem uma grande tradicao de luta. Haviam entre 30 e 40 mil no ato, pelo que se pode contar. Valparaiso é uma pequena cidade com menos de 1 milhao e 500 mil habitantes, cheia de casinhas que se espremem uma ao lado da outra, todas coloridas, ocupando os morros da cidade. Muita charmosa e aconchegante.

“El Maremoto Estudiantil”

O que mais chama atencao na marcha, é sem dúvida, a criatividade e irreverencia da juventude chilena, e a firmeza de seguir até o fim. Havia de tudo lá. Bonecoes de papel maché com um estudante dizendo SOS e o governo “lucro”, um time de chicas de topless com o corpo todo pintado como um time de futebol com o nome dos governantes e um $ atras, seguida de um bloco de Conga (musica cubana) com paródias em defesa da educacao, vários carros dos carabineros (policiais) feitos de papelao, ridicularizando a repressao. Uma coluna com os “300 guerreiros”, fazendo uma paródia do filme, lutando pela educacao, um leite gigante, uma paródia dos simpsons, meninas fantasiadas de prostitutas, tartarugas que se rastejavam, os “infectados pelo sistema” todos cheios de feridas e andando como zumbis, vários lápis gigantes, muitos palhacos, malabares e coisas de circo, caveiras que eram as “vitimas do sistema”, pipas em defesa da educacao… Além, é claro, de todo tipo de faixas e dizeres, cantos dos mais criativos, especialmente dos secundaristas, que pulavam, corriam, gritavam, se sentindo num verdadeiro extase: “chi, chi, chi, le, le, le, secundarios de chile!”. A presenca tambem de outras entidades e movimentos sociais, como os trabalhadores do Porto que com seus enormes caminhoes ficaram buzinando em apoio a nossa luta; foi um dos momentos mais marcantes da marcha. Os representantes estudantis disseram, e eu concordo: foi uma marcha que entrou pra história.

Em Santiago, a marcha chegou, de acordo com os organizadores, a 100 mil pessoas, também cheia de criatividade juvenil. Fiquei sabendo que outras vezes, já organizaram muitos protestos reunindo uma galera numa praca pra fazer um ato lúdico. Por exemplo, uma vez cerca de 500 estudantes fazendo a coreografia do Thriller, do Michael Jackson. Outra vez, mais de 1000 fizeram o “suicídio pela educacao”, quando de uma hora pra outra em uma praca no centro da cidade todos cairam no chao, se fingindo de mortos, e tinha apenas uma menina com um cartaz dizendo que todos morreram esperando as reformas educacionais. Bom, volatando a marcha de ontem… Quem acompanhou nos jornais deve ter visto que houve muita repressao em Santiago. Aqui, para fazer uma mobilizacao, o governo deve autorizar (!) o trajeto que a marcha vai fazer. E dessa vez, autorizaram um trajeto mais distante do centro, e obviamente os estudantes – que nao estao muito preocupados com a legalidade neste momento – fizeram o ato onde sempre se faz, em frente ao palacio do governo “La Moneda”, na Plaza de Italia. Desde o comecinho do ato, os carabineiros foram pra cima dos manifestantes. Com os já conhecidos gás lacrimogemio e jatos d`água, buscavam dispersar os manifestantes que jogavam pedras na policia. Depois de dissolver um primeiro grupo que se enfrentava mais diretamente com a policia, partiram para o resto do ato, que concentrava as manifestacoes culturais e as colunas de cada universidade e colegio. Durante duas horas, a principal rua de Santiago, Alameda, se tornou um verdadeiro campo de batalha. Uma repressao terrivel do governo, em uma manifestacao pacifica! Mais uma demonstracao que nao esta disposto a qualquer dialogo e que nao esta disposto a ceder. Azar o dele: os estudantes também nao.

Participei de uma reuniao dos pais de alunos de um colégio ocupado em Valparaiso e foi incrivel. Estavam presentes os pais, parentes e representantes estudantis. O nivel de conscientizacao das familias, e da necessidade que entrem tambem na luta é muito grande. Uma mae dizia na reuniao, que o governo quer que se fazer de vitima, utilizando de um discurso que está disposto a negociar, que já deu várias propostas e que o movimento que é intransigente e só quer fazer baderna. Mas o problema é que as propostas que deu nao passam nem perto de solucionar os problemas! Em todas as reunioes que estive, ha uma certeza muito grande que as lutas devem se seguir, ampliar suas reivindicacoes e aliancas com outros setores de trabalhadores. E todos tem certo que precisam enfrentar com forca a proxima semana, porque a seguinte será determinante para a continuidade ou nao das lutas: as aulas vao voltar. Se se seguem as ocupacoes depois da volta as aulas, sem duvida o movimento ganha uma forca muito maior.

“As veias da América Latina ainda seguem abertas”

Esses dias que passei aqui no Chile, na minha primeira viagem a algum país da América Latina, senti como nunca como somos “hermanos latino-americanos”. Esse sentimento de uniao entre nós, que os chilenos me fizeram sentir quando sorriam de alegria e me abracavam com forca por saber que no Brasil tem apoio também para sua luta, é algo que temos que nos agarrar com forca. Os planos do imperialismo para a educacao, especialmente do Banco Mundial e do FMI, sao os mesmos para o conjunto da America Latina. Dizia-lhes que passavamos pelos mesmos problemas, que havia um Plano Nacional de Educacao no Brasil que iria avancar mais na privatizacao e que podiamos chegar a ter, como eles, todas as universidades publicas com cobranca de taxas e completamente privatizadas, e eles também nos davam incentivos para lutar.

Ficaram muito impressionados, especialmente os representantes das entidades, com a forma de organizacao democratica da ANEL. Um chico do centro de estudiantes do Liceo Eduardo de la Barra me disse, depois de lhe explicar o funcionamento da ANEL: “Isso é um sonho meu de ter algo assim aqui! Precisamos de uma entidade como essa.” – e eu lhe incentivei que criassem. A alianca com secundaristas e universitarios e o controle pela base era o lhes chamava mais atencao, porque as entidades aqui, especialmente de universitarios como a CONFECH, sao extremamente burocráticas. O movimento, porém, é mais forte e está fazendo avancar uma reorganizacao pela base muito grande. Essa reorganizacao, junto com a forca das mobilizacoes e com a alianca cada vez maior com os trabalhadores, ainda vai fazer o governo Piñera tremer na base. Lutando para que caia o Ministro da Educacao, por um Plebiscito oficial sobre a gratuidade do ensino, uma reforma estrutural na educacao e por uma mudanca constitucional, eu espero – e junto comigo todos os “chilenos libres” – que ganhe cada vez mais forca esta luta, “hasta la victoria”.

“Yo que soy americano,
no importa de que país,
quiero que mi continente
viva algún día feliz.

Que los países hermanos
de Centroamérica y sur
borren las sombras del norte
a ramalazos de luz.

Si hay que callar
no callemos,
pongámonos a cantar.
Y si hay que peliar,
peliemos,
si es el modo de triunfar.

Por toda América soplan
vientos que no han de parar.
Hasta que entierren las sombras,
no hay orden de descansar.”

Inti-Illiami,

La Segunda Indpendencia

PS1: desculpem a falta de acentos… é que estou num computador chileno, e nao tem todos os nossos acentos aqui.

PS2: vejam as fotos do ato no álbum picasa da ANEL!

Fonte: http://www.anelonline.org/?p=2314

ANEL no Chile: em defesa da educação pública

A ANEL enviou Clara Saraiva, da Comissão Executiva Nacional da entidade, ao Chile para acompanhar e se solidarizar com as fortes manifestações estudantis que ocorrem naquele país.
Clara participou, na semana passada, de um programa na rádio 1º de Maio. Em pauta, os protestos estudantis, em um debate que também contou com a presença de representantes da CONFECH e da ACES, federações de estudantes universitários e secundaristas do Chile, respectivamente.
A luta dos estudantes chilenos já vem há semanas mobilizando milhares em todo o país e colocando o governo Piñera contra a parede. As principais exigências giram em torno ao aumento de verbas para a educação pública, estatização de escolas e universidades e reformas no sistema educacional de conjunto

1º relato da ANEL no Chile

Juventude chilena luta e beija em defesa da educação pública

Relato de mães de secundaristas chilenos

Carnaval em Plaza de Armas

Veja todas as fotos

1800 horas em defesa da educacao pública

1800 horas em defesa da educacao pública

Participacao da ANEL junto com a CONFECH e ACES no progama da rádio 1o de maio

Entrada da FAU - Universidad de Chile

Quadro da reuniao da ANES com contato da ANEL

Liceo de Aplicacion "en toma"

Carnaval en la Plaza de Armas

Universidad de Chile "en toma"

Universidad de Chile "en toma"

Universidad de Chile "en toma" - Prédio Central

Universidad de Chile "en toma"