A ANEL COLOCA NA RODA O DEBATE SOBRE AS OPRESSÕES

É HORA DA VIRADA!
A ANEL COLOCA NA RODA O DEBATE SOBRE AS OPRESSÕES

No dia 28/04 houve uma atividade artística cultural no IFCH, organizada pelos ativistas que constroem o I Congresso Nacional da ANEL (Assembleia Nacional dos Estudantes – Livre). Durante a atividade, foram distribuídos adesivos da campanha “É hora da virada contra a homofobia” (campanha impulsionada pela ANEL e CSP-Conlutas), que foram extremamente bem recebidos pelas pessoas em geral, que os colavam em suas roupas. No entanto, infelizmente, na mesma noite tivemos um exemplo nítido do quanto é atrasado o debate acerca das opressões, mesmo entre aqueles que se reivindicam “progressistas” e “sem preconceitos”, artistas e público universitário.

Durante a atividade, da qual participavam muitas pessoas de diversos institutos, a banda “Los Cones” tocou duas músicas que expressavam machismo e homofobia, momento em que alguns ativistas da ANEL interromperam a banda no microfone, quando o espaço se polarizou entre “Toca!” e “Não toca!”.  Essa questão repercutiu pela universidade e também na internet, e queremos entrar no debate com aquilo que consideramos central em tudo o que aconteceu. A princípio é interessante, a nosso ver, que esse fato tenha ocorrido. Sem ele não seria possível discutir com tanta abrangência uma temática tão importante, e sobretudo presente para aqueles que convivem diariamente com a opressão.

Antes de mais nada, passemos ao conteúdo das letras, que cabe ressaltar, na opinião da banda não são opressoras. “Priscilly” fala de um transexual que se prostitui. Descreve o mesmo da seguinte maneira: “Uma barba rala, pelos em suas pernas, deformidades em seu rosto”. Em seguida, diz que, para um heterossexual à procura de uma prostituta, encontrar um transexual (de quem ele logo irá querer “se livrar”) é uma “cena tensa e dramática”. Para que não fiquem dúvidas, basta pensarmos se uma música como essa seria bem recebida num espaço organizado em defesa do movimento LGBTT, com a presença de transexuais. Para nós, é evidente que não. Trata de um transexual como simples objeto de desejo e/ou desprezo sexual, como uma mercadoria desumanizada, sem vontades. Já “Prezeppada” é uma música sobre uma “depravada sexual” da qual o cara da música “não abre mão” porque ela o satisfaz, que submete a mulher a uma condição de não poder decidir sobre sua própria vida sexual sem ser também mercantilizada ou tratada como “vadia”.

Para além da objetividade da opressão nos conteúdos, gostaríamos de avançar no debate quanto a forma como o machismo e a homofobia são discutidos. Ao contrário de argumentos que surgiram de que a prática da ANEL foi de censurar a banda, nós damos a esse fato um outro nome: combate às opressões. Argumentos levantados contra a ANEL foram tais como “o público pediu” ou “os próprios artistas não se consideram homofóbicos ou machistas”. Pois bem, a luta contra as opressões passa necessariamente por se enfrentar com as situações mais cotidianas, com públicos e sujeitos diversos, mesmo que esses não reconheçam o caráter de sua própria prática. Serão os homens os primeiros a perceber o machismo em seu próprio comportamento? Serão os heterossexuais os primeiros a perceber o que é a homofobia? Para nós da ANEL, a disposição de qualquer ativista ou qualquer pessoa que se indigne com situações de opressão é fundamental e será sempre causador de conflitos. Trata-se de um questionamento que nada contra a maré, numa sociedade que impede que as pessoas manifestem sua orientação sexual, sua cor ou gênero.

Reafirmamos o conteúdo do adesivo distribuído na festa: é hora da virada, para nós não é possível que os setores oprimidos tenham que abaixar a cabeça e levar constrangidos a sua opressão para casa. Não podemos relativizar a supressão das diferenças, sua transformação em desigualdades. A ANEL é parte daqueles que tras em seu programa e em sua prática cotidiana o combate a qualquer postura como essa a que presenciamos.

Nenhuma tolerância a nenhum tipo de opressão!

Fica o convite: no dia 15/05 acontece a Assembléia Estadual da ANEL (SP), onde teremos como debate na mesa de abertura a Luta contra a Homofobia.

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Uma resposta em “A ANEL COLOCA NA RODA O DEBATE SOBRE AS OPRESSÕES

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